Renault anuncia construção da 3ª fábrica no PR
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sábado, 22 de janeiro de 2000
Por Miriam Karam e Cleide Silva 
São Paulo, 22 (AE) - A Renault do Brasil vai lançar a pedra fundamental de sua terceira unidade produtiva no Paraná na primeira semana de fevereiro. Na quarta-feira, o governador Jaime Lerner assinará, em Paris, o protocolo de intenções com o presidente mundial da companhia, Louis Schweitzer. A nova unidade, que produzirá os furgões Master, vai ser construída em São José dos Pinhais, ao lado das instalações da linha de montagem dos modelos Scénic e Clio a da recém-inaugurada fábrica de motores. O valor do investimento será anunciado na França. O Master, já produzido pela montadora na Europa, tem capacidade para transportar até 17 passageiros. O mercado de furgões no Brasil atualmente é dominado pelos importados Besta, da coreana Kia, e Sprinter, da alemã Mercedes-Benz. Em julho ganhará o primeiro concorrente nacional, o Ducato, hoje também importado pela Fiat. A Fiat deve inaugurar sua fábrica conjunta com a Iveco na metade do ano, após vários meses de adiamento. A nova unidade em Sete Lagoas (MG) estava prevista para entrar em operação no segundo semestre do ano passado. Com a mudança cambial, que encareceu a importação de peças, a empresa decidiu aguardar mais um pouco. Vendas - A Renault inaugurou sua primeira fábrica no Paraná em dezembro de 98 com a produção do Scénic, modelo que vendeu 15.142 unidades no ano passado. Em novembro começou a produção do Clio, com versões de motor 1.0 e 1.6 que vendeu 2.916 unidades em dois meses. Em dezembro, foi a vez da inauguração da fábrica de motores. Somando os modelos trazidos do Mercosul e da França, a Renault vendeu no ano passado 32.540 veículos, 70% a mais que no ano anterior. O resultado representou 2,7% do mercado nacional de veículos e garantiu à montadora a quinta posição no ranking das empresas, ficando atrás das quatro grandes do País (Volkswagen, Fiat, GM e Ford).
Para este ano, a previsão é de vender entre 75 mil e 80 mil veículos, o que representará uma fatia de 5% do mercado. Até 2005, a empresa pretende elevar essa participação para 10% das vendas de automóveis no Brasil e 11% no Mercosul. Ao final deste período, segundo cálculos da montadora, o mercado no Brasil será de 2,2 milhões de unidades por ano, enquanto o dos países do Mercosul vai alcançar 3 milhões de veículos.
Atualmente a indústria automobilística brasileira opera com cerca de 50% de ociosidade. As fábricas já instaladas e as recentemente inauguradas têm capacidade para produzir perto de 2 8 milhões de veículos, mas no ano passado só foram fabricados 1 34 milhão. Investimentos - Os investimentos das montadoras no Paraná nos últimos dois anos totalizam R$ 2,46 bilhões. Além da Renault, iniciaram a produção no Estado nesse período a Chrysler e a Volkswagen/Audi. A Volvo, que está na Cidade Industrial de Curitiba desde a década de 70, também ampliou instalações. Segundo o governo do Paraná, essas empresas são responsáveis pela criação de 5.550 empregos diretos.
No rastro das montadoras, quatro fábricas de motores foram instaladas em Curitiba e na Região Metropolitana - Detroit
Tritec e as filiais da Renault e da Volvo. Elas aplicaram pouco mais de R$ 1 milhão em seus projetos, criando 1.645 postos de trabalho. A segunda unidade da Renault, a Mecânica Mercosul, foi inaugurada no início de dezembro para produzir motores de 1.0 e 1.6 cilindradas que equipam o Scénic e o novo Clio. Os motores também serão exportados para as fábricas do grupo na Argentina, Uruguai e Colômbia. A unidade tem capacidade para montar 280 mil motores por ano e gerou 400 empregos diretos.
Ainda na inauguração, a empresa francesa anunciou projeto de expansão, no valor de US$ 100 milhões, para a fabricação de blocos, cabeçotes e virabrequins. A concretização do projeto vai significar aumento de nacionalização dos componentes dos motores, que hoje chega a 47%. Com a expansão, a idéia é atingir 60% ainda neste ano e alcançar 80% no fim de 2001.


