Remédios aumentaram até 300% desde o Plano Real
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quinta-feira, 06 de agosto de 1998
Agência Estado 
O consumidor ainda paga muito caro pelos medicamentos além de correr o risco de comprá-los falsificados. Pesquisa que está sendo desenvolvida pela Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP), no Rio, mostra que desde o início do Plano Real até hoje os preços dos remédios aumentaram em até 300%. O estudo mostra também que medicamentos à base do mesmo princípio ativo são vendidos sob diferentes marcas com uma variação de preço que chega a 440%. Os números fazem parte de uma pesquisa comparativa de preços e número de marcas disponíveis que está sendo realizada simultaneamente no Brasil, Argentina e no México - os três maiores mercados de medicamentos da América Latina.
Os coordenadores da pesquisa estão trabalhando com 28 medicamentos, selecionados entre os de uso contínuo ou de grande demanda ambulatorial. Os dados da Argentina e do México ainda não estão disponíveis, mas os números do mercado brasileiro já apontam grandes discrepâncias. É o caso do Fenobarbital, medicamento comumente usado para a epilepsia. A pesquisa mostra que em 1994, no início do Plano Real, cada comprimido do remédio custava US$ 0,04. Atualmente, o preço é US$ 0,12, apontando um aumento de 300%. Esse é também o caso do hidróxido de alumínio, um antiácido. Em quatro anos, o preço de cada comprimido dobrou, passando de US$ 0,05 para US$ 0,10.
O popular ácido acetilsalicílico foi outro medicamento que praticamente dobrou de preço. Cada comprimido do antitérmico custava US$ 0,04 e hoje vale US$ 0,07. Outro medicamento que também teve um aumento significativo foi a furosemida, um diurético usado no controle da hipertensão arterial. Em 1994, cada comprimido do medicamento era vendido por US$ 0,15. Hoje, o preço é de US$ 0,22. Para medir as variações nos preços, os pesquisadores escolheram uma marca do medicamento e a acompanharam durante os últimos quatro anos.
O presidente do Sindicato das Indústrias Farmacêuticas do Rio, Carlos Grossi, admite que houve aumento, mas afirma que eles foram feitos logo no início do Plano Real, como forma de compensar uma grande defasagem nos preços dos produtos.
A pesquisa aponta ainda uma grande disparidade entre os preços de medicamentos à base do mesmo princípio ativo. A penicilina é a campeã da disparidade, com diferenças que variam em até 440%.
É verdade que há uma grande variação nos preços dos produtos, admite o presidente do Sindicato das Indústrias Farmacêuticas. E eu espero que o público saiba comprar o mais barato, como costuma fazer com outros produtos como sabão em pó, sapato e roupas.


