Remédios aumentam pela quinta vez no ano
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domingo, 01 de agosto de 1999
Por Gabriela Scheinberg (especial para a AE) 
São Paulo, 02 (AE) - Os remédios tiveram hoje o quinto reajuste do ano. Cerca de 75,2% dos cem medicamentos mais vendidos no País tiveram um reajuste de até 3% em seus preços, segundo a Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica (Abifarma). Desses produtos, por volta de 40,7% tiveram um aumento entre 2% e 3%. A Abifarma estimou que 10,6% dos remédios não sofreram aumento.
Esse reajuste foi referente à última parcela do acordo entre as indústrias farmacêuticas e a Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae) do Ministério da Fazenda. O acordo foi firmado no começo de fevereiro, depois da desvalorização cambial. Como grande parte dos medicamentos é importada ou utiliza matéria-prima estrangeira, a alta do dólar provocou um aumento nos custos dos remédios, o que resultou em um reajuste no preço para o consumidor. A Seae firmou um acordo para parcelar esses aumentos.
Em fevereiro, primeiro mês do acordo, não houve reajuste. Nos três meses seguintes, os laboratórios repassaram para o consumidor o aumento nos custos de remédios importados prontos e matéria-prima. Em junho, julho e agosto, foi a vez de reajustar o preço para cobrir os gastos com produtos secundários
como alumínio, vidro, etc. Segundo Claudio Considera, secretário de Acompanhamento Econômico, não haverá mais aumentos de preços de medicamentos este ano. "Decidimos firmar um acordo por causa da desvalorização cambial", disse. "No entanto, não há um controle de preços de remédios pelo governo; o mercado é livre" afirmou.
Mesmo sem um acordo para controlar o mercado, Considera disse que a Seae continuará a acompanhar os preços e a encaminhar ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) todos os aumentos abusivos registrados. Durante os meses em que o acordo esteve em vigor, Considera afirmou que seis laboratórios foram chamados para explicar aumentos abusivos de preços. "Cada laboratório tinha mais de um produto sendo investigado", disse, acrescentando que os relatórios foram encaminhados ao Cade.
Segundo a Associação Brasileira do Comércio Farmacêutico (ABCFarma), o aumento acumulado de janeiro a julho do preço dos medicamentos foi de 8,79% - enquanto a inflação, de acordo com a Fundação Instituto de Pesquisa Econômica da Universidade de São Paulo (Fipe), foi de 2,51% no mesmo período. Para Considera, a inflação é uma média de vários produtos e, assim como medicamentos, outros setores tiveram aumento acima desse índice.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária já informou que pretende acompanhar o preço de remédios. Para tal, firmou um convênio com a Fipe. Técnicos da Agência começam, este mês, a coletar dados sobre os preços de remédios para criar, em seis meses, um índice, que será usado para o acompanhamento.


