Remédio usado em cesárea teria causado uma morte
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sexta-feira, 04 de abril de 2003
Agência Estado 
São Sebastião - Um medicamento utilizado no procedimento pós-parto pode ter causado complicações em oito mulheres submetidas a cesárea na maternidade do Hospital de Clínicas de São Sebastião (SP). O uso do remédio, cujos nome e laboratório são mantidos em sigilo pela Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo, foi suspenso em todas as maternidades do litoral norte e Vale do Paraíba.
Uma das parturientes morreu. De acordo com a provedora do hospital, Elisabeth Chagas, os casos de atonia uterina quando o útero não volta ao tamanho normal depois do parto ocorreram entre segunda e quarta-feira desta semana. ''As oito mulheres apresentaram o mesmo problema, seguido de sangramento considerável e infecção. Diante do quadro, resolvemos suspender as atividades no centro cirúrgico.''
A provedora ressalta que outras operações realizadas nesta semana no mesmo local não tiveram nenhuma complicação. ''Não sabemos a causa da infecção, mas todas as mulheres tomaram o mesmo medicamento, cujo lote foi suspenso na quarta-feira.''
A dona-de-casa Eliane Félix Miranda, de 32 anos, sofreu uma hemorragia aguda depois do parto e morreu na última quarta-feira. Segundo a família, ela fez todos os exames e estava bem de saúde. A mãe da vítima, Maria Félix Miranda, de 62 anos, exige que o caso seja esclarecido. ''Eu não vou sossegar, quero saber o que houve.'' No atestado de óbito, as causas da morte constam como ''choque hipovolêmico e coagolopatia de consumo'', que segundo especialistas, significam hemorragia e falta de coagulação do sangue.
O delegado Odair Bruzos instaurou inquérito para apurar os motivos que levaram à morte da dona-de-casa. Ele ouviu parentes da mulher e a partir de segunda-feira poderá pedir a exumação do corpo para exames toxicológico e químico.
Das sete mulheres que continuavam internadas, uma obteve alta, três estavam na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e outras três em observação. Segundo a direção do hospital, os oito recém-nascidos estavam bem e não tiveram nenhum problema de saúde. A filha recém-nascida da dona-de-casa Eliane Miranda teve alta ontem. ''Agora as duas meninas vão ficar sob os cuidados de minha outra filha'', afirmou a mãe da vítima, que tinha ainda uma filha de sete anos.
Amostras dos medicamentos, do sangue das pacientes e do centro cirúrgico foram enviadas para o laboratório do Instituto Adolf Lutz, na capital paulista. O resultado da amostra dos medicamentos deve ficar pronto na próxima segunda-feira.


