Remédio reduz necessidade desesperada pela bebida
Curitiba- No tratamento do alcoolismo, um novo medicamento vem sendo bastante usado e elogiado pelos médicos brasileiros. Trata-se do ReVia, nome comercial do medicamento, que tem como princípio ativo o cloridrato de naltrexona. O produto foi desenvolvido nos Estados Unidos, e recentemente passou a ser fabricado no Barsil, pelo laboratório Cristália. Com isso, teve seu preço reduzido em cerca de 50%. Enquanto o produto americano era vendido a mais de R$ 500, o ReVia é comercializado a R$ 233,83 a caixa com 30 comprimidos, suficiente para um mês de tratamento.
Segundo Castro, o medicamento era usado desde 1975 em tratamento para viciados em heroína, até que em 1994 foi aprovado nos EUA para tratamento de alcoolismo. O medicamento é prescrito na fase de desintoxicação para reduzir a o desejo de beber. ''Ele diminui a fissura. Atua no sistema de recompensa cerebral, que é responsável pela percepção prazerosa de todos os comportamentos'', resume.
A grande aceitação deve-se ao fato de que até então o principal medicamento utilizado é um aversivo. Ou seja, não diminui a vontade de beber, mas provoca reações violentas no organismo caso a pessoa venha a consumir álcool. O resultado é a baixa adesão e abandono do tratamento pelos pacientes.
Estudos mostram que a naltrexona aumenta de forma significativa a adesão ao tratamento do alcoolismo além de diminuir a possibilidade de recaída. O mecanismo de atuação da naltrexona consegue bloquear os receptores da endorfina, agindo especificamente em uma determinada região do cérebro responsável pelos sintomas prazerosos ou pela euforia decorrente da estimulação desses receptores, de modo que o dependente vai perdendo o desejo de beber.
''Esta é a grande propriedade do remédio, diminuir o craving, como também é chamada a necessidade desesperada pela bebida'', explica o psiquiatra Ronaldo Ramos Laranjeira, coordenador da Unidade de Pesquisas em Álcool e Drogas (Uniap) da Escola Paulista de Medicina (Unifesp).
Segundo o laboratório, a naltrexona age desde o primeiro dia, quatro horas após sua ingestão, e a cada dia bloqueia cada vez mais os sintomas ''euforizantes''. Com o bloqueio dos receptores, o dependente vai perdendo o desejo de beber.(M.G.)





