Remédio para o Coração e Alma
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de setembro de 2008
Andréa Lombardo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba- ''O Vinho como Remédio para o Coração e Alma''. Esse é um dos temas que serão tratados no simpósio médico que acontece, hoje, no Expotrade Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. O II Simpósio DASA de Imagem e Vinhos antecede o 63º Congresso Brasileiro de Cardiologia, que começa amanhã, na Capital. As discussões do evento vêm reforçar o que várias pesquisas científicas já comprovaram: o consumo diário de vinho pode ser benéfico para a saúde, especialmente, do coração.
O diretor da Sociedade Brasileira de Cardiologia e um dos organizadores do simpósio, Carlos Eduardo Suaide Silva, de São Paulo, lembrou que o interesse pelas propriedades do vinho como coadjuvante na prevenção a doenças coronárias começou, na década de 90, com o que ficou conhecido como ''paradoxo francês''.
A baixa incidência de cardiopatias nos franceses de hábitos de vida pouco saudáveis -fumantes inveterados e de dieta gordurosa- intrigava o meio médico-científico. Concluiu-se que o costume francês de tomar vinho durante as refeições poderia ser o ponto de equilíbrio.
''O vinho tem substâncias antioxidantes que desempenham papel cardioprotetor. São mais de 500 substâncias presentes no vinho e algumas têm relação com fatores que protegem o coração, evitando coagulação do sangue e espasmos na musculatura das artérias'', explicou o médico. A ingestão moderada de vinho (uma a duas taças diárias) promove elevação de aproximadamente 12% nos níveis de HDL (o colesterol bom) e diminuição do colesterol LDL (mau colesterol).
A controvérsia sobre os benefícios do vinho à saúde, observou Suaide, está na quantidade e no tipo de vinho que deve ser consumido. O que se sabe é que as substâncias benéficas estão na casca da uva (o vinho branco é produzido sem a casca). Tanto que o suco da fruta também atua como antioxidante no organismo.
O vinho agrega os benefícios do álcool que, em doses reduzidas, favorece a preservação da musculatura lisa das artérias. ''Em excesso, o efeito ruim do álcool passa a se sobrepor aos benefícios'', acrescentou.
Washington Uchoa Júnior não tem nenhuma ligação com a área médica, mas entende tudo de vinho e reconhece suas propriedades benéficas à saúde. Sommelier de uma pizzaria em Curitiba, Uchoa veio de São Paulo, onde o consumo de vinho, segundo ele, está mais ligado a 'status'. ''Já o sulista, o que inclui o curitibano, tem isso como hábito na família'', afirmou.
Uchoa diz que não precisa ser um expert para tomar um bom vinho, mas um pouco de conhecimento ou a ajuda de alguém que entenda podem ser importantes na escolha. Como regra geral, pratos encorpados pedem vinhos encorpados e vice-versa. Para os leigos, o sommelier explica que entre os vinhos da América do Sul, os uruguaios de uva tannat são mais encorpados, os argentinos de uva malbec, também encorpados, mas equilibrados, e os chilenos, de uva carmenére são recomendados para paladares mais sensíveis.


