Remédio para contaminação é testado
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terça-feira, 20 de outubro de 1998
Brás Henrique Agência Estado 
Preocupados com a preservação do meio ambiente, um grupo de pesquisadores dos laboratórios green - que reúne os departamentos de Tecnologia Farmacêutica, Tecnologia das Fermentações e Controle de Qualidade - da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, de Ribeirão Preto, conseguiu isolar um pool de bactérias capaz de biodegradar compostos químicos do solo e da água.
É o remédio biológico, como denominaram, que permite combater ou prevenir a contaminação da natureza por herbicidas e agrotóxicos que também prejudicam a saúde do homem.
A pesquisa foi iniciada há quatro anos por Julieta Ueta, do laboratório de Tecnologia das Fermentações, que estudou os microorganismos do solo capazes de biodegradar os herbicidas, principalmente os mais aplicados no Brasil, como 2,4-D e atrazina.
O trabalho dela ganhou impulso depois que a Embrapa conseguiu mapear, via satélite, as regiões com maior risco de contaminação do lençol freático. A região de Ribeirão Preto tem um dos seis pontos de recarga do aquífero Botucatu - um oceano subterrâneo de 1,6 milhão de metros quadrados que pode armazenar cerca de 37 mil quilômetros cúbicos de água doce e que está localizado sob seis estados brasileiros, além de Paraguai, Uruguai e Argentina.
Nos últimos dois anos, o pesquisador do laboratório de Tecnologia Farmacêutica, Newton Lindolfo Pereira, dedicou-se ao processo de microencapsulamento das bactérias. A microcápsula pode abrigar de 10 a 50 bactérias cada e se dissolver rapidamente para combater os herbicidas lançados na natureza. A durabilidade das cápsulas ainda não foi testada.
Agora, os 10 cientistas da USP envolvidos na pesquisa preparam o teste de campo do remédio biológico, para comprovar as experiências feitas em laboratório. Depois de finalizar os testes, o remédio será encaminhado às indústrias, que farão a comercialização do produto.
Também deveremos levar informações para as escolas do 1º Grau, pois as crianças podem transformar os hábitos da família e da sociedade. Precisamos preservar a água e a vida, diz Julieta Ueta.


