Remédio falso tem 20 inquéritos no Rio
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sexta-feira, 17 de julho de 1998
Murilo Fiuza de Melo Especial para a AE 
A Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Saúde Pública (DRCSP) já abriu 20 inquéritos sobre falsificação de medicamentos no Rio de Janeiro em 45 dias de existência. As investigações resultaram na autuação de 11 pessoas, das quais uma foi presa e duas estão condenadas. O balanço foi feito ontem pelo delegado Pedro Paulo Pinho, titular da DRCSP, durante a inauguração da sede da delegacia, que vai passar a centralizar todas as investigações sobre fraudes e roubos de remédios, crimes contra vida (como vítimas de erro médico) e outros casos que possam infringir o código sanitário. Até então, os crimes relacionados a esse setor eram investigados pelas delegacias distritais.
Agora, nosso trabalho terá começo, meio e fim, porque, às vezes, tínhamos inúmeros delitos que conseguíamos identificar, mas que, no fim, ficavam impunes por falta de investigação policial, disse a secretária estadual de Saúde, Rosângela Bello. Vinculada à Secretaria Estadual de Segurança Pública, a DRCSP vai atuar em conjunto com a Coordenação de Fiscalização Sanitária, Secretaria Estadual de Saúde e o Laboratório Noel Nutels. Para facilitar o trabalho, a delegacia foi instalada no mesmo prédio da secretaria, no centro do Rio. Pinho contará com cinco carros e 30 homens, dos quais nove já estão trabalhando desde a criação da DRCSP, no dia 2 de junho.
Os demais policiais vão passar por um curso de especialização na Academia de Polícia, explicou o delegado. O governador do Rio, Marcello Alencar, que esteve na inauguração, salientou que vem mantendo contatos com o governador de São Paulo, Mário Covas, para que o Estado também tenha a sua delegacia especializada nesse tipo de crime. A idéia do ministro José Serra (da Saúde) é que cada Estado tenha uma delegacia para apurar esse crime hediondo que é a falsificação de medicamentos, disse.
A secretaria ainda não definiu a punição a que o Laboratório Merck do Brasil será submetido por não ter recolhido o lote falsificado, número 97045, do complexo vitamínico Citoneurim 5000 e comunicado o fato imediatamente à população e autoridades sanitárias. Se isso foi por inexperiência, como eles alegaram, ou proposital não importa, porque houve erro por parte do laboratório, afirmou. A secretaria ainda aguarda alguns documentos - como o protocolo de produção e o número de lotes do Citoneurim no mercado - para aplicar qualquer punição.
O governador revelou que tomava o Citoneurim 5000 diariamente para combater o estresse. Ele disse que não sabia se o remédio que tomou pertencia ao lote falsificado. Minha mulher (dona Célia) viu na televisão a reportagem sobre remédio falsificado e jogou a caixa fora. Infelizmente não pude ver se era do lote fraudado.
Ontem, fiscais da Vigilância Sanitária e da DRCSP fizeram uma vistoria em três farmácias da Favela da Rocinha, em São Conrado, zona sul do Rio, à procura de medicamentos que teriam sido vendidos por José Antônio Correia, de 46 anos. Correia é dono de um depósito clandestino que funcionava em uma casa de três andares na Estrada das Canoas, também em São Conrado, descoberto pela polícia na madrugada de ontem. No depósito, foram encontrados 5 mil remédios, a maioria em situação irregular.


