Os 120 pacientes de aids que fazem tratamento no Instituto de Medicina Tropical (IMT) do Amazonas estavam tomando medicação falsificada desde janeiro. O lote é o WO-207DC, do Epivir. Um dos componentes do coquetel foi encontrado no estoque do instituto.
A constatação só foi possível depois que o coordenador do Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST)/Aids, Pedro Chequer, enviou a Manaus a lista contendo o código do lote falsificado.
A Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde tinha detectado o lote de Epivir ilegal em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul. A medicação foi distribuída pelo próprio ministério. A notícia da medicação falsa causou surpresa à coordenação da Vigilância Sanitária Estadual, que ontem concluiu uma fiscalização entre as 650 drogarias e farmácias e 32 distribuidoras em Manaus, e não havia detectado nenhuma irregularidade.
Ontem, ao verificar a existência do lote falsificado do Epivir, o diretor do IMT, Nelson Alecrim, mandou comunuicar o fato a todos os pacientes, e classificou o caso como crime inafiançável. Um dos pacientes é o presidente da Associação do Soropositivo e Amigos do Amazonas, José Henrique Golveia de Sá.
Ele chegou ao instituto trazendo um frasco do remédio. Comparado à medicação original, era fácil detectar a diferença entre o plástico da embalagem, a inexistência do código de barra e a colagem grosseira e amarelada do rótulo, bem diferentes da medicação fabricada pelos laboratórios Roche e Glaxon, Wellcome. Sá tomou nos últimos meses sete frascos do remédio, que contêm 38 comprimidos.

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