Londrina - Responsável há 16 anos pelo ambulatório de hanseníase do Consórcio Intermunicipal de Saúde do Médio Paranapanema (Cismepar), a dermatologista sanitarista Cristina Aranda afirma que em todos esses anos nunca houve um caso em que ela tenha prescrito o medicamento e que tenha acarretado na Síndrome.
''Assim como acontece com outros medicamentos para gestantes, temos a mesma preocupação com a indicação da Talidomida. O problema não está no medicamento, mas na resposabilidade na prescrição e de quem vai usar. A quimioterapia também não pode ser realizada em gestantes e nem por isso se cogitou sua retirada no tratamento de câncer'', defende.
Segundo a médica, a Talidomida é uma grande ''arma da medicina'' e os profissionais da saúde devem saber manuseá-la, já que em alguns casos é altamente eficaz e insubstituível. ''O remédio só é prescrito àqueles em que outras medicações não apresentaram resultado. Pacientes chegam a tomar doses altas de corticoide e morfina para dor e nada resolve. Essas pessoas ficam prostradas, sem conseguir sair da cama. Apenas a Talidomida consegue amenizar o sofrimento, pois atua diretamente na inflamação ocasionada pela patologia.''
Para ela, o estigma em decorrência das vítimas na década de 60 deve ser superado. ''Infelizmente, pela falta de informação, o medicamento foi receitado diretamente às mulheres grávidas como inibidor dos enjoos. Por isso, a onda de mlihares de crianças com deficiência que chocou o mundo. Mas, hoje, ainda que haja muita resistência, já estamos descobrindo novos protocolos, aumentando a gama de utilização do medicamento'', comemora. De seus pacientes com hanseníase, cerca de 10% a 20% fazem uso da Talidomida, cuja doença é responsável por mais de 90% das prescrições.
Qualidade de vida
Diagnosticada com hanseníase há cinco anos, a dona de casa Zenir dos Santos Silva, de 46 anos, diz que a vida se resume a antes e depois do medicamento. ''Por quatro anos fiz tratamento com remédios que não melhoravam em nada minha doença. Teve época em que eu não conseguia comer, estava toda inchada e sentia dores insuportáveis por todo o corpo, além das feridas que saíam. Somente com a Talidomida é que passei a ter uma vida normal, foi como ''tirar'' com a mão'', conta aliviada.
Ciente de todos os efeitos da medicação, ela afirma tomar todos os cuidados para que o medicamento não caia em mãos erradas. ''Guardo dentro da minha bolsa, que fica dentro do armário. Minha filha, que tem um filho pequeno, também sabe de todos os perigos que o remédio pode causar. Toda consulta a médica fala sobre os perigos e tenho que assinar um documento.''(M.T.)

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