Remédio contra doenças modernas
Os cientistas não sabem ao certo o que nos bebês inspira cuidado, mas o fato é que eles despertam nos adultos um tipo de impulso ancestral de proteção. Só que, mal começam a dominar os primeiros movimentos, os bebês já querem descobrir o mundo. Do jeito deles, brincando - ou seja, vendo com as mãos, a boca e o nariz coisas e seres nem sempre limpos e seguros.
E a melhor forma de protegê-los pode ser deixá-los correr algum risco. A contaminação por certos microorganismos no primeiro ano de vida pode ajudar a prevenir asma e alergias, segundo a Hipótese da Higiene, proposta pelo cientista inglês David Strachan. ''E brincar previne também obesidade, doenças do coração e depressão'', garante o psicólogo infantil norte-americano John Richer, doutor em filosofia e estudioso da obra de Strachan. ''Crianças que brincam ao ar livre tendem a ser mais criativas, adaptáveis e felizes. São até mais populares na escola.''
A importância de brincar foi o assunto mais debatido no 2º Fórum de Desenvolvimento da Criança, promovido este mês pela Unilever. Coube especular sobre a relação entre a crescente incidência de doenças respiratórias aos hábitos de pais cada vez mais zelosos com a higiene dos pequenos. ''Há 20 anos, 10% das pessoas tinham rinite; hoje, são 25%'', afirma a médica Ana Paula Castro, especialista em alergia e imunologia. ''Por isso, os pais não devem privar os bebês do contato com animais, por exemplo.'' Nem do contato social. ''Multidões devem ser evitadas, mas a ida para a escolinha representa aprendizado também para o sistema imunológico.''
Albert Einstein costumava dizer que brincar é a mais elevada forma de pesquisa. Samuel, 6 anos, tem feito muita pesquisa de campo no quintal de casa, onde há pés de manga, amora, goiaba, pitanga. Ele passa a tarde brincando ao ar livre e, de noite, esgotado, vai para cama antes das 20h30. ''Depois de um bom banho com bucha'', ressalta a oficial de justiça Maria Eliza Silveira, 44, mãe do menino. Essa rotina é nova: a família morava num apartamento. Maria Eliza estava preocupada com a adaptação do menino ao novo estilo de vida, mas, outro dia, ele a chamou para uma conversa séria: queria dizer que estava muito feliz. E, há meses, Samuel não fica doente.(Agência Estado)





