O endocrinologista Francisco José Marquezine explica que a substância femproporex já foi muito receitada pelos médicos, porém já há mais de uma década que os profissionais preferem prescrever outros tipos de remédios para combater a obesidade, evitando os diversos efeitos colaterais de tal anorexígeno. Contudo, ainda há aqueles que insistem em receitar femproporex a seus pacientes.
Em entrevista à FOLHA, o médico relatou que o femproporex causa diversos efeitos colaterais, inclusive o desencadeamento de psicoses. ''Muitas vezes uma pessoa nasce com uma psicopatia qualquer e morre sem que a doença se manifeste, porém o femproporex pode fazer que a psicopatia apareça. Para você ter uma idéia, as 'boletas' que alguns motoristas de caminhão tomam para ficar acordados são à base de anfetaminas, inclusive femproporex'', destaca.
O também endocrinologista Guilherme Marquezine vai além. ''O médico especialista prefere outras drogas mais modernas, seguras e eficientes. Não vale a pena expor o paciente a riscos sendo que a eficiência do remédio é muito baixa. Vale esclarecer que essa medicação dá resultado, provocando o emagrecimento de forma rápida. Porém, isso tem um custo alto, com o risco de ataques cardíacos, doenças psiquiátricas e o peso sendo recuperado rapidamente. O efeito que esse medicamento causa não é nem o 'sanfona', é o efeito 'espiral', pois o paciente fica mais pesado do que antes de começar a utilizar o remédio. É uma ilusão'', destaca.
De acordo com o diretor médico-científico do Aché Laboratórios - fabricante do Desobeci M - , José Roberto Lazzarini, ''o tratamento farmacológico, seja qual for a medicação escolhida, só é justificável quando associado a mudanças de estilo de vida e dieta. O tratamento farmacológico da obesidade não é curativo e uma vez suspenso, caso o paciente não tiver adotado as medidas dietéticas e de alterações de estilo de vida recomendadas, ocorre novamente o ganho de peso.''
''O uso do femproporex é respaldado tanto por estudos clínicos que demonstraram sua eficácia e segurança, quanto pelo Consenso Latino Americano de Obesidade, que o inclui entre as opções de tratamento farmacológico disponíveis'', defende Lazzarini. (W.S.)

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