Remadores encontram muito lixo e poluição a caminho da Argentina
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quinta-feira, 15 de julho de 1999
Por Liana John 
Campinas, 16 (AE) - Dois remadores que viajam de São Paulo a Buenos Aires, no Projeto Remar até o Mar, já ultrapassaram a marca dos 850 quilômetros dentro de uma canoa canadense de 6 metros, em pouco mais de um mês de viagem. Alessandro Casella e Carlos Vagelers partiram de Campinas, SP, pelo rio Atibaia, no dia 5 de junho, enfrentando diversas corredeiras e tendo de contornar algumas quedas maiores a pé, carregando ou puxando a canoa. No caminho encontraram muito esgoto e lixo. Os dois têm pela frente mais dois ou três meses de viagem.
No primeiro trecho, até Piracicaba, mais do que a proximidade com as capivaras e garças, muito comuns no interior paulista, os remadores encontraram muito lixo, de todos os tipos. O acúmulo de lixo chegou a camuflar um braço de rio em que deveriam entrar, no município de Jaguariúna, para desviar de uma queda dágua. Com isso, os dois atletas ficaram perdidos num final tarde e foram salvos apenas por um grupo de ciclistas, parados por acaso para descansar em meio à trilha, num pomar de mexericas.
Além do lixo, os esgotos domésticos e industriais de Campinas e Paulínia também foram companheiros indesejados de viagem até a represa de Americana. No local a poluição orgânica dos esgotos domésticos alimenta os aguapés (plantas aquáticas), que estavam tão densos e bem nutridos, que venceram os remadores. Casella e Vageler tiveram de descer da canoa e fazer este trecho no seco. Os esgotos industriais e o assoreamento da represa de Americana - devido à erosão acelerada nas terras agrícolas e cidades das margens - prejudicam também a produção de energia e estão prestes a inviabilizar o funcionamento da usina.
De Americana, os dois remadores seguiram para Piracicaba
onde o rio homônimo ainda extrai lamentos de moradores simples das suas margens, por causa da poluição. Dali para frente, com menos corredeiras, lixo e esgoto, Casella e Vageler encontraram água mais limpa para remar e paisagens mais bonitas.
Segundo seu relato no diário de bordo virtual (http://www.360graus.com.br/remar), o Tietê do interior é bem diferente do rio que a capital paulista luta para livrar dos despejos industriais. Já próximo da foz, o Tietê tem muito mais água para diluir os resíduos e muito menos descargas para realimentar a poluição.
Casella e Vageler já estão no rio Paraná, temporariamente sem conexão via correio eletrônico, porque seu computador portátil resolveu dar um mergulho. Já remaram mais de 850 quilômetros e têm pelo menos dois mil pela frente, devendo chegar na Argentina em dois ou três meses. O rastreamento por satélite e controle de sua posição vem sendo feito pela equipe de apoio, através do sistema de comunicação Orbsystem.


