Relógio pode ser pista em assassinato
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sábado, 20 de dezembro de 1997
Paulo Ubiratan Londrina 
Dorico da SilvaAbaloA casa 45 da Rua Farrapos continuava ontem atraindo a atenção de repórteres e curiosos: cidade está abalada com o crime O delegado Jorge Barbosa encontrou o relógio do assassino do empresário londrinense Júlio César Marino, de 54 anos. O empresário foi morto anteontem às 13h45, com quatro tiros disparados à queima-roupa na garagem de sua mansão, localizada na Rua Farrapos, 45, centro de Londrina. O relógio é da marca Atlantis, de quartz do tipo comum, evidenciando que o criminoso é pessoa de pouca posse.
Pelo relógio é possível afirmar que o assassino é franzino. Esse tipo físico fecha com a descrição dada pelas cinco testemunhas que viram o assassino matar e fugir, comentou Barbosa. Segundo elas, o criminoso aparenta ter 27 anos, é moreno, magro, 1,68m de altura, tem cabelos encaracolados curtos e usa bigode fino.
O caseiro Nelson Silva, que recebeu um tiro do matador, também confirma esta versão. Ele continua internado na Santa Casa em observação e passa bem. Ontem à noite, um perito do Instituto de Criminalística de Curitiba iria ouvir todas as testemunhas para montar o retrato falado do assassino.
O delegado Barbosa ouviu a viúva do empresário, Marta Marino, na noite do dia do crime. Em seu depoimento, ela disse que havia chegado de avião de São Paulo uma hora antes do crime, indo para casa de táxi.
Marta descartou a hipótese de Júlio estar envolvido com outras mulheres e acrescentou que o empresário também não tinha inimigos. O casal vivia junto há mais de 20 anos. Júlio Marino era viúvo de Sônia Marino, que se suicidou quando já estava separada dele. Ele deixou as filhas Carla, de 27 anos, e Luciana, de 22 - do primeiro casamento - que trabalham em uma das empresas do grupo, em São Paulo.
O delegado Barbosa recebeu ontem à tarde as primeiras informações do laudo de necrópsia do corpo do empresário. O exame indica que ele levou um tiro de revólver calibre 38 pelas costas, que transfixou o abdômem, e mais três tiros de frente, que se alojaram na parte abdominal. A informação de que Júlio havia recebido um tiro na cabeça foi contestada pela necrópsia: na verdade, ele se feriu ao bater a cabeça no piso da garagem.
Segundo testemunhas, o criminoso entrou na casa caminhando acobertado pela caminhonete Cherokee que Júlio dirigia, assim que o portão foi aberto pelo caseiro. O criminoso teria dito ao empresário que se tratava de assalto e imediatamente disparou o primeiro tiro, por trás, quando Júlio terminava de estacionar o veículo. Mesmo ferido, o empresário teria entrado em luta com o assassino, recebendo mais dois tiros. O último foi desferido quando ele já estava caído.
ExecuçãoO delegado Barbosa afirmou que as investigações estão seguindo a linha de que Júlio foi morto numa execução. Em segundo plano estão as hipóteses de latrocínio ou tentativa de sequestro. A possibilidade de execução é a mais forte, pela forma fria de como foi praticado o crime. No entanto, não descartamos as teses de latrocínio e tentativa de sequestro. O caseiro (Nelson Silva) nos disse que o criminoso teria levado uma bolsa do empresário. Isto não está confirmado, pois não conseguimos falar com nenhum dos diretores das empresas J. Marino, afirmou o delegado.
Ontem pela manhã, o delegado Barbosa e o delegado-chefe da 10ª Subdvisão, Wanderci Corral Fernandes, foram a Rolândia (a 25 quilômetros de Londrina), onde funcionam as empresas Cotam e Itamaraty, do grupo do empresário assassinado. Eles estão atrás de um ex-funcionário que teria movido uma ação trabalhista contra o grupo, pela qual esperava R$ 80 mil de indenização mas recebeu R$ 15 mil. Especula-se que este fato possa ajustar-se ao crime.


