Washington, 12 (AE-AP) - O estudo de rochas australianas trouxe evidências de que já existiam formas de vida primitivas na Terra há 2,7 bilhões de anos - um bilhão de anos antes do que mostravam fósseis descobertos anteriormente.
"Os fósseis moleculares que estamos divulgando são as moléculas biológicas preservadas mais antigas do mundo", disse o pesquisador Jochen Brocks.
A descoberta faz com que a evidência de vida na Terra recue até a Era Arqueana, o período que vai desde a origem do planeta até 2,5 bilhões de anos atrás.
"Não se sabia que moléculas complexas poderiam sobreviver por tanto tempo na Terra", disse Brocks, da Universidade de Sydney e da Pesquisa Geológica Australiana. A maioria das rochas com a idade das estudadas pela equipe de Brock já sofreram processos geológicos intensos o suficiente para destruir qualquer evidência orgânica que pudessem conter. Mas as amostras pesquisadas pelos australianos estavam bem preservadas, e ainda continham substâncias orgânicas.
Os pesquisadores encontraram sinais de moléculas conhecidas como lipídios em rochas sedimentares localizadas a mais de 600 metros de profundidade. Essas rochas estavam no leito do oceano há 2,7 bilhões de anos.
Lipídios são produzidos por seres vivos, e indicam a presença de eucariontes - células dotadas de um núcleo organizado.
Os cientistas acreditavam que as células eucariontes seriam uma criação relativamente recente na história do planeta. Esta descoberta coloca os eucariontes no estágio mais antigo da Terra.
Os cientistas australianos tiveram o cuidado de passar as amostras por diversos solventes, para eliminar a hipótese de contaminação da rocha antiga por moléculas mais "jovens".

mockup