Religiosos se reúnem para promover a paz
São Paulo, 02 (AE) - Representantes de vários grupos religiosos apresentaram, hoje, no Parque da Aclimação, na zona sul de São Paulo, diferentes manifestações espirituais e um objetivo comum: promover a paz. O encontro, chamado de Arco-Íris da Paz, foi idealizado pela organização não-governamental americana Iniciativa das Religiões Unidas.
"Não buscamos o sincretismo e sim o diálogo entre as religiões", explicou o monge beneditino Anselmo Nemoyane Ribeiro, que, com outros monges do Mosteiro de São Bento, mostrou os tradicionais cantos gregorianos. Os cantos e tambores africanos homenageavam Obatalá, conhecido no Brasil como Oxalá, o deus da paz no candomblé. "Pregamos a convivência pacífica com todas as religiões", disse a sacerdotisa da tradição orixá Iya Sandra Epega.
Violência - O toré do arco-íris - um canto índigena sagrado, que evoca a solidariedade entre os povos - foi apresentado pelo presidente do Instituto Arapoty, o índio txucarramãe Kaká Jecuperê. "Foi uma forma de divulgar e conhecer outras tradições", afirmou Jecuperê.
Para a presidente do conselho da comunidade budista Soto Zenshu, Cláudia Coen Murayama, conhecer melhor as religiões é importante para combater a discriminação. "A falta de conhecimento leva ao preconceito e à violência", afirmou Cláudia.
"As diferenças entre as religiões são só formais, mas o objetivo de encontrar o Divino é o mesmo", disse o sheik da islâmico Muhammad Ragip, que destacou a importância do evento ter sido realizado - de maneiras diversas, mas simultaneamente - em vários países. "Em Israel, cristãos, muçulmanos e judeus reuniram-se em uma vigília no Monte das Oliveiras", contou.
De sexta-feira até hoje os grupos que participaram do encontro desenvolveram, em suas instituições religiosas, atividades em intenção da paz. A chuva não atrapalhou o evento, que reuniu 600 pessoas, segundo os organizadores. "Serviu para refrescar", disse o monge beneditino Anselmo. "Foi uma bênção dos céus." No fim do encontro, todos cantaram "Asa Branca, de Luís Gonzaga.





