Agência Folha
De Campinas
Termina hoje o 8º Encontro Nacional de Presbíteros, que acontece desde a última terça-feira, no mosteiro de Itaici, na cidade de Indaiatuba (27 km de Campinas). Cerca de 500 padres de todo o país estão reunidos para discutir o perfil do novo padre da Igreja Católica no Brasil.
Hoje, os padres celebrariam o Jubileu do Clero, na igreja de Nossa Senhora de Guadalupe, em Campinas. Durante a semana, os sacerdotes formaram grupos de discussões sobre questões referentes aos dilemas dos padres nos dias atuais. O padre Antônio Aparecido Pereira, de São Paulo, considerou o encontro de presbíteros como uma junção de forças de grupos católicos. ‘‘É uma união de forças e um momento de reflexão sobre assuntos que dizem respeito à transição da Igreja Católica nos dias atuais e aos problemas de adaptação interna’’, disse o padre.
O padre Alírio Bervian, da aldeia Xingu de Altamira, no Estado do Pará, afirmou que a igreja passa por um momento de transição. De acordo com ele, esse momento pede uma participação mais direta dos padres nas lutas sociais.
‘‘O presbítero precisa estar presente nas lutas sociais por ser um integrante do povo, com as mesmas necessidades a serem reclamadas’’, disse padre Alírio, que é integrante da Associação Nacional dos Presbíteros do Brasil, organização autônoma da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).
O padre José Fernando de Oliveira, 58, conhecido como padre Zezinho, precursor dos padres-cantores no Brasil, defendeu na última sexta-feira, em Itaici, a intervenção da CNBB na participação – para ele excessiva – de sacerdotes na mídia.
Padre Zezinho disse que a cúpula da igreja deve se preocupar com o fenômeno de mídia gerado pelos padres Marcelo Rossi e Antônio Maria, ambos cantores. ‘‘É preciso criar um projeto para que não se passe dos limites. É errado um padre subir no mesmo palco para cantar junto com o Reginaldo Rossi, por exemplo’’, disse padre Zezinho.
Apesar de pregar restrições ao excesso de exposição na mídia, padre Zezinho defendeu seu colega padre Marcelo, alegando que ele conseguiu abrir espaço para a Igreja Católica na televisão. De acordo com o padre Mário Pio de Faria, de Minas Gerais, os jovens religiosos que estão aparecendo na mídia correm o risco de se afastarem do engajamento social inerente ao presbítero.

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