Brasília- Bispos e pastores das igrejas Católica, Anglicana, Metodista e da Confissão Luterana criticam o governo Lula por inflacionar números e não cumprir metas da reforma agrária. O documento ''Os pobres possuirão a terra'', divulgado ontem por 76 religiosos, destaca que apenas cem mil das 360 mil famílias que estavam na lista de previsão de assentamento nos últimos três anos foram de fato beneficiadas. O Ministério do Desenvolvimento Agrário, no entanto, assegura que assentou 243 mil famílias de 2003 a 2005.
Os religiosos afirmam que o ministério, comandado por Miguel Rossetto, conta no levantamento oficial famílias que apenas ganharam título de terra. O documento cita uma área de assentamento ocupada desde 1942, em Barra do Corda, Maranhão, que teria sido incluída nos dados do governo. ''Esses números parecem propaganda, não são números reais'', diz d. Tomás Balduíno, presidente da Comissão Pastoral da Terra.
Os bispos e pastores reconhecem que o governo Lula avançou ao dialogar com os movimentos sociais. ''O governo Fernando Henrique Cardoso, além de iniciar a prática de inflacionar números, reprimia e apoiava as milícias'', afirmou Balduíno. ''Lula pelo menos conversa com os movimentos sociais.''
O pastor luterano Elio Scheffler disse que a continuidade desse diálogo entre governo e movimentos sociais é ''fundamental'' para o avanço da reforma agrária. Ele responsabilizou também o Judiciário e a bancada do PSDB no Congresso pela demora no avanço desse processo.
Na avaliação do religioso, os tucanos dificultaram projetos de interesse de famílias sem-terra apenas com intuito de se apresentar como oposição ao governo Lula. ''Mesmo com lentidão, o atual governo se abriu para os movimentos sociais'', disse.
O documento ressalta que, desde a redemocratização do País, em 1985, a reforma agrária só avançou em razão das cobranças de movimentos sociais. O governo José Sarney (1985-1990) assentou cem mil famílias, quando a meta era atingir 1,4 milhão. No governo Collor (1990-1992) e Itamar Franco (1992-1994) o número de assentados foi pífio. Já nos dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) um total de 450 mil famílias teriam sido assentadas. A gestão tucana é lembrada pelos massacres de trabalhadores sem-terra em Itumbiara e Eldorado de Carajás.

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