Religioso é autor de gramática em tupi
Cidade do Vaticano - Apesar de ter nascido na Ilha de Tenerife, no arquipélago das Canárias, na Espanha, o padre José de Anchieta ficou conhecido como o "apóstolo do Brasil" por sua atuação no País. Chegou à costa brasileira em julho de 1553 com outros seis jesuítas e, em menos de um ano, dominava o tupi com perfeição. Ao longo dos 43 anos em que viveu no Brasil, participou da fundação de escolas, cidades e igrejas. Foi um dos fundadores do Colégio de São Paulo de Piratininga (hoje Pateo do Collegio), que deu origem à cidade de São Paulo.
Historiador, gramático, poeta e teatrólogo, redigia seus textos em quatro línguas: português, castelhano, latim e tupi. Foi autor da primeira gramática brasileira, "A Arte da Gramática da Língua Mais Usada na Costa do Brasil", que sistematizou a língua tupi.
A pé ou de barco, Anchieta viajou pelo País inaugurando missões, com aulas de catequese, gramática e conhecimentos gerais. Os alunos eram os índios, os colonos e, por vezes, até os padres. Essas viagens foram essenciais para a consolidação do cristianismo e do sistema de ensino no Brasil. Além de São Paulo, o sacerdote também esteve no Rio de Janeiro, Espírito Santo e em cidades do Nordeste.
Ensinar preceitos cristãos utilizando características locais, como celebrações musicadas ao ritmo de tambores, em aulas ao ar livre, era uma das características de Anchieta. Contrariamente a uma ala da Igreja, o jesuíta defendia os indígenas dos abusos dos colonizadores portugueses e, mais tarde, a mesma preocupação foi demonstrada para com os negros africanos.
Ele morreu em Reritiba (atual cidade de Anchieta ES), em 9 de junho 1597. Logo depois de sua morte, foi cercado por uma multidão de índios que levou o corpo em procissão silenciosa até a cidade de Vitória, onde foi sepultado. (B.F.)





