Relembrando tempos de ouro do PR
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quarta-feira, 04 de agosto de 2010
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Quem desce a Serra do Mar de trem vê pelas janelas dos vagões o desrespeito com a história da Estrada de Ferro Curitiba-Paranaguá, uma das principais obras de engenharia do nosso Estado. Ao longo de seus 110 quilômetros entre a Capital e a histórica Morretes, em meio à beleza da paisagem de Mata Atlântica, sobressaem imagens de abandono das antigas estações. Por culpa de um impasse entre a União, que ficou com parte do patrimônio da antiga Rede Ferroviária Federal S.A., e a América Latina Logística (ALL), que desde 1997 assumiu as ferrovias do Paraná e Santa Catarina, aos poucos a maioria das estações se tornam invisíveis, tomadas pela ação do tempo e pela vegetação que já cobre grande parte deste importante patrimônio do nosso estado.
O impasse entre as partes continua. Em 2004, a ALL devolveu à União várias estações não operacionais para a empresa, ficando com apenas 43 unidades em todo País sob sua responsabilidade. A União, por sua vez, contesta o patrimônio que recebeu de volta. Mas pelo menos para as 43 estações que estão em seu poder, a ALL tem projetos de restauração, que serão implementados à medida que a empresa e o Instituto ALL forem fechando parcerias com os municípios envolvidos.
No último dia 30 de julho, a Estação Marumbi, situada no Km 60 da centenária ferrovia que corta a Serra do Mar, aos pés do Pico Marumbi e dentro do Parque Estadual de mesmo nome, foi ''reinaugurada'' pela ALL, depois de passar por reforma e revitalização, ao custo de R$ 300 mil. Segundo a arquiteta Fabiula Carazzai, que participou da obra, a estação recebeu pintura, novos vidros, o piso original e o madeiramento foram restaurados. Banheiros foram refeitos, e na parte inferior foi construído um refeitório, com previsão de abrigar uma cozinha industrial para atender os funcionários e pesquisadores que frequentam a região.
A Estação Marumbi sempre foi uma das mais importantes da ferrovia Curitiba-Paranaguá. Ela nasceu em 1885, como uma casa de madeira, sendo substituída em 1913 por outra edificação também em madeira, que tornou-se o ponto de apoio para os Marumbinistas que naquela época já se dedicavam a escalar a montanha. A estação atual veio em 1940, em alvenaria. A pedido dos Marumbinistas, foi construída do outro lado da linha, de frente para a montanha, permitindo que da plataforma pudessem apreciar o pico. Do outro lado da linha, as antigas casas são ocupadas, hoje, pela sede do Parque Estadual do Pico do Marumbi, um Centro de Visitantes com Museu, Polícia Florestal, Corpo de Socorro em Montanha (Cosmo) e alojamento para pesquisadores.


