São Paulo, 18 (AE) - O futuro político dos vereadores José Izar (PFL) e Maeli Vergniano (sem partido) deve começar a ser decidido na próxima semana. As Comissões Processantes que avaliam os pedidos de cassação contra os dois devem concluir seus relatórios nesse período e entregá-los ao presidente da Casa, Armando Mellão (sem partido). Caberá a ele definir o dia em que o plenário votará pela cassação ou absolvição dos parlamentares.
As comissões teriam como prazo até 16 de setembro para entregar o relatório, mas decidiram antecipá-los. Na Casa, vereadores comentavam que, no caso de Maeli, o relatório final pode ser entregue já na segunda-feira. Mellão poderia assim, segundo parlamentares da oposição, colocar o relatório em votação até quinta-feira. Quando o ex-vereador Vicente Viscome foi cassado, o relatório da comissão que avaliou as acusações contra ele foi entregue em 24 de junho. Sua cassação foi votada quatro dias depois, em 28 de junho.
Para que um vereador perca seu mandato é necessário o voto de pelo menos 37 parlamentares. Hoje, foi o último dia para que os dois entregassem as alegações finais de defesa. Izar garantiu que o prazo seria cumprido, mas reclamou de não ter seu pedido de prorrogação atendido. "O processo tem mais de 15 mil folhas", argumentou. Por meio de sua assessoria de Imprensa, Maeli também afirmou que o documento de defesa seria entregue sem atraso.
Até as 18 horas, as comissões ainda não haviam recebido as alegações. O prazo terminaria às 19 horas. Os dois parlamentares declararam estar tranquilos de sua absolvição, mas ambos dizem estar prontos a entrar na Justiça para reverter uma decisão contrária às suas expectativas. "Estou tranquilo", disse Izar, que vai manter em sua defesa os argumentos que utilizou quando prestou depoimento à comissão. "Ninguém me acusa de nada", afirmou. "Vou provar na Justiça que sou inocente". Por meio de sua assessoria, Maeli manifestou a mesma certeza. "Em momento algum se materializou qualquer prova contra a vereadora". Ela, entretanto, admite questionar na Justiça a decisão do plenário caso tenha seu mandato cassado. "Se por ventura a vontade política for contrária a vereadora, ela certamente será corrigida judicialmente", informou seu assessor. A tendência, no entanto, de acordo com vereadores que preferiram não ter seus nomes revelados, é que o mandato de ambos seja cassado.
Acusações - Izar é acusado de se ter beneficiado de um suposto esquema de propinas na Administração Regional da Lapa. Ele teria usado a estrutura da regional em favor da candidatura de seu irmão, Willians Izar, a deputado estadual. Durante a CPI dos fiscais, empresários da região afirmaram ter sido coagidos a colaborar com a campanha. O vereador nega. "Nunca autorizei ninguém a pedir nada", disse em seu depoimento à Comissão Processante.
Contra Maeli, pesam acusações de uso da estrutura da Administração Regional de Pirituba em proveito próprio. Ela foi acusada de usar um carro da empresa Vega Ambiental, que deveria ser usado para fiscalizar a varrição das ruas na região, para uso particular.

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