Londres, 01 (AE-AP) - Os governos da Grã-Bretanha e da República da Irlanda iniciaram hoje (01) estudo detalhado do relatório da comissão independente de desarmamento dos grupos paramilitares da Irlanda do Norte que, aparentemente, não contém nenhum indício de que o Exército Republicano Irlandês (IRA) esteja se desfazendo de seu imenso arsenal.
"Se o IRA não entregar as armas vamos renunciar", reiterou o primeiro-ministro norte-irlandês, o protestante David Trimble, apesar de o IRA ter divulgado hoje um comunicado no qual tenta tranquilizar os norte-irlandeses. "Reiteramos nosso compromisso com o acordo de paz e não vamos romper o cessar-fogo", assegurou o grupo extremista católico, cujo braço político, o Sinn Fein, integra o governo de Trimble.
Na mensagem, o IRA sustenta que um representante seu já se reuniu em três ocasiões com o general canadense John de Chartelain, chefe da comissão independente de desarmamento. Em nenhum momento, os dirigentes do grupo católico referem-se a uma data para o início da entrega das armas. O acordo de paz estabelece o dia 20 de maio como fim do prazo para deposição das armas.
Os bairros católicos de Belfast amanheceram hoje com as seguintes frases, pintadas em muros e postes, que resumem a posição do IRA: "Nem um fuzil nem uma bala." A ala radical do grupo paramilitar considera a neutralização do arsenal um ato de capitulação. No sábado o número 2 do Sinn Fein, Martin McGuinness, disse: "Não consegui obter a rendição do IRA." E, em seguida, indagou: "Por que deveria humilhá-lo?"
Trimble, chefe do Partido Unionista do Ulster (UUP), disse que, nas atuais circunstâncias, não pode continuar governando o território. "Ter ao nosso lado um Sinn Fein vinculado organicamente a um grupo terrorista que não evoluiu significaria destruir o acordo de paz. Segundo analistas políticos, Londres estaria inclinada a suspender o governo autônomo, evitando, dessa forma, a renúncia de Trimble.
O relatório do general Chastelain estava sendo estudado, em Dublin, pelo ministro britânico para a Irlanda do Norte, Peter Mandelson, e pelo chanceler irlandês, Brian Cowen.
Diante das dificuldades, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, pediu ajuda ao presidente americano, Bill Clinton. Este exerceu muita pressão sobre o Sinn Fein e o IRA na segunda-feira e hoje, sem, no entanto, obter nenhuma concessão. Segundo jornais britânicos, o mediador americano George Mitchell - que relançou o processo de paz em novembro - deverá retornar a Belfast.

mockup