Agência Estado
De Brasília
Relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgado ontem, em Brasília, revela contradições no sistema de saúde no Brasil. Ao lado de avanços como a melhoria do índice de aleitamento materno, o estudo lista retrocessos na saúde pública do País. Intitulado ‘‘O Progresso da Nações em 1999’’, mostra que o mesmo País que conseguiu alcançar o segundo lugar no mundo por causa do aumento no índice de aleitamento materno e que erradicou a poliomielite, ocupa o quarto lugar no planeta em números absolutos de casos de tuberculose. O estudo mostra um País bem classificado somente nas áreas de saúde onde tem programas de longo prazo, que não foi o caso da tuberculose nos últimos anos.
‘‘O número de casos de tuberculose é muito preocupante no Brasil’’, disse a representante do Unicef, Reiko Niimis. O relatório assinala que o Brasil, campeão em casos de tuberculose na América do Sul - com cerca de 85 mil casos por ano -, ‘‘não põe em prática’’ o tratamento supervisionado que dura seis meses. Menos de 10% dos pacientes recebem este tipo de acompanhamento no País, segundo os últimos dados, de 1986, índice que coloca o País ao lado de Uganda, Zimbábue e Afeganistão.
De acordo com Pedro Chequer, coordenador de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST-Aids) do Ministério da Saúde, cerca de 5 mil pessoas com Aids desenvolvem a tuberculose a cada ano no País, mas a maioria dos casos da doença não está vinculada a Aids.
Na opinião do coordenador do DST/Aids, houve um ‘‘processo de deterioração’’ no tratamento da tuberculose no Brasil, desde o início da década, sem a prática do tratamento continuado.
Reiko Niimis afirmou que a grande preocupação do Unicef é com a volta de doenças que já deveriam ter desaparecido do planeta, exigindo medicamentos cada vez mais fortes.
No Brasil, um total de 19% das crianças de área rural e 8% da área urbana sofre com problemas de baixo crescimento. Na carência de suprimento de vitamina A, que pode levar à cegueira, o País foi classificado entre os países onde o problema é de saúde pública e existe uma alta mortalidade de menores de cinco anos. A classificação é a mesma do Haiti e da Bolívia.
Pela primeira vez nestes sete anos de levantamento de dados, os pesquisadores incluíram no trabalho o ‘‘índice de risco’’ para as crianças, a partir da fusão de cinco indicadores: mortalidade infantil, peso e idade, frequência escolar, incidência de Aids e existência de guerra no País. O Brasil tirou nota 8, a quarta melhor nota do relatório, mas que foi concedida a vários outros.
Entre os países com maior taxa de aumento do aleitamento materno, o Brasil ganhou o segundo lugar no mundo. Só perdeu para o Irã. Os dois países expandiram os programas de agentes comunitários de saúde, que na avaliação do Unicef foi decisivo para difundir a importância do aleitamento.
O Unicef defende a transformação das dívidas dos países menos desenvolvidos em investimentos na área social. Reiko Niimis alerta que a troca não será automática, para todos. Serão criados padrões específicos e negociações para cada País. ‘‘Temos de estar certos que o dinheiro chegará às famílias que mais precisam’’, disse.Documento divulgado ontem mostra que houve alguns avanços, mas o País peca no controle de doenças como a tuberculose
Agência EstadoUNICEFDiagnóstico O coordenador do programa DST/Aids, Pedro Chequer, e Reiko Niimis, da Unicef, na divulgação do relatório

mockup