Relatório não vê volta do processo inflacionário
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quarta-feira, 29 de dezembro de 1999
por Gustavo Freire 
Brasília, 29 (AE) O Banco Central está apresentando a ata da última reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom), realizada no último dia 15, e o relatório da inflação, o terceiro divulgado após a implantação do sistema de metas inflacionárias. O relatório de inflação diz que no último trimestre do ano a economia sofreu choques negativos de oferta "que não estavam contemplados no último relatório e que mudaram de maneira importante o cenário para os próximos trimestres".
O primeiro choque apontado pelo relatório foi o prolongamento da entressafra de produtos agropecuários em algumas regiões do País, "com efeitos maiores do que os esperados no último relatório". O segundo choque foi o aumento do álcool combustível, decorrente da alta internacional do açúcar. "A elevação do preço do álcool também provocou indiretamente o aumento da gasolina". O terceiro, foi o fim da redução do IPI sobre a venda dos carros novos, resultado da não renovação do acordo entre montadoras e fabricantes de veículos. "O aumento do imposto foi repassado para seus preços que
subiram em outubro", diz o relatório. Ele ressalta ainda que "pela natureza desses fatos observados, seus efeitos sobre a inflação deverão ser apenas temporários. Isso significa que não existe recrudescimento do processo inflacionário. Este diagnóstico já pôde ser confirmado em novembro, cuja inflação (0,95%) apresentou queda em relação a de outubro. Espera-se que a inflação seja ainda menor, porque os efeitos desses choques estarão sendo dissipados", informa o relatório.


