O Brasil é o campeão dos índices de repetência entre os países em desenvolvimento. De cada 100 estudantes matriculados nos cinco primeiros anos do ensino fundamental em 1997, 26 repetiram alguma série no país. O segundo colocado, o Paraguai, está bem abaixo disso: 8,4% repetiram em 1997 no mesmo segmento naquele país. Na Argentina, por exemplo, essa taxa é de 5,7% e na China é de apenas 1,2%.
Os dados constam do relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco), divulgado ontem pelo ministro da Educação, Paulo Renato Souza.
Os dados são de 1997 e comparam os índices educacionais de 16 países em desenvolvimento e de 29 desenvolvidos. Dos 14 países em desenvolvimento onde foi possível obter dados de repetência, o Brasil é, disparado, o primeiro. Para ser possível a comparação entre os países, a OCDE e a Unesco dividiram os níveis de ensino em primário (que vai da primeira a quinta série do ensino fundamental no Brasil) e secundário baixo (que vai da sexta à oitava série).
O índice de repetência do Brasil melhora um pouco entre alunos matriculados da sexta à oitava série, onde 19,7% dos alunos repetiram em 1997. Apesar disso, o Brasil continua campeão absoluto em repetência nesse segmento, distante do Uruguai, onde a repetência é de 14,9%. Para o Ministério da Educação, esse problema diminuiu na década de 90. Dados do Inep mostram que a taxa de repetência em 1990 era de 34% e caiu para 23% em 1997 nos oito anos do ensino fundamental.
Apesar desse avanço, o consultor educacional e especialista em evasão e repetência João Batista Oliveira critica o pouco esforço de Estados e municípios em combater o problema. ‘‘Poucos fizeram, até agora, programas integrados de combate à repetência e evasão.’’

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