A Comissão Mundial de Barragens divulgou ontem um relatório, resultado de dois anos de estudos, sobre a situação das 45 mil grandes barragens existentes em todo o mundo, tanto para represamento de água para agricultura quanto para geração de energia elétrica. O relatório foi divulgado na Universidade de São Paulo (USP) pelo professor José Goldemberg, do Instituto de Eletrônica e Energia da USP, e membro da comissão. No documento, uma das principais recomendações feitas é que se procure alternativas para a construção das barragens, evitando os grandes impactos ambientais e sociais que elas provocam.
‘‘Ao invés de simplesmente construir uma usina hidrelétrica, um governo pode, antes, estudar outras alternativas para obter energia, como uma termelétrica, uma usina nuclear ou movida por energia solar’’, afirmou Goldemberg. Ele citou, como exemplo, algumas regiões do norte do Brasil que estão optando por construir pequenas barragens que causam menos impacto.
O objetivo do relatório é apresentar diretrizes para que os órgãos financiadores, governos e organizações não-governamentais possam decidir pela construção ou se opor a uma barragem. ‘‘Damos um conselho: pense, antes de pular. Nós, da comissão, demos uma lista sobre as coisas que devem ser pensadas, ou seja, se há necessidade de se fazer uma barragem, se não há alternativas, se os interesses das populações envolvidas serão atendidos’’, comentou Goldemberg. Outra recomendação da comissão é a elaboração de relatórios de impacto ambiental e social antes de se decidir pela obra e de se abrir processos de licitação.

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