Londres, 07 (AE-REUTERS) - Um relatório divulgado em Londres indica que o desflorestamento da Amazônia alcança 15 mil quilômetros quadrados por ano. O relatório é do Woods Hole Research Center, de Massachusetts (EUA).
De acordo com os pesquisadores desse instituto, outras estimativas tradicionais de desflorestamento são mais conservadoras porque os satélites não registram os efeitos das queimadas.
"De uma maneira geral, nós achamos que as estimativas atuais de desflorestamento da Amazônia brasileira a cada ano cobrem menos de metade da área de floresta que é empobrecida anualmente
e menos ainda nos anos de seca", afirmam Daniel Nepstad e seus colegas em artigo na última edição da revista científica Nature.
O corte de árvores e as queimadas também estão fazendo crescer a quantidade de dióxido de carbono liberada na atmosfera, especialmente durante as flutuações climáticas relacionadas ao fenômeno El Niño. O dióxido de carbono é um dos chamados "gases-estufa", resposabilizados pelo aquecimento global.
Para estimar o dano causado pelo corte de árvores, a equipe de Nepstad e cientistas do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia em Belém (Pará) entrevistaram 1.393 operadores de madeireiras, que são responsáveis por grande parte da produção de madeira da região. Mais de 202 proprietários de terra também foram entrevistados, para medir os efeitos das queimadas.
Os cientistas reconhecem que a monitoração por satélite é uma ferramenta fundamental para estudar os efeitos da ocupação humana nas florestas tropicais húmidas, mas afirmam que esses métodos precisam ser aperfeiçoados para que se obtenha um quadro mais completo da situação.
"Essa monitoração precisa ser expandida para incluir as partes da floresta atingidas pelo corte de árvores e pelo fogo, de modo a refletir com mais precisão a magnitude da influência humana nas florestas tropicais", diz o estudo.

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