Relatório do BC complica situação de juiz do DF
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terça-feira, 01 de junho de 1999
Por Rosa Costa 
Brasília, 02 (AE) - Relatório do Banco Central enviado à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário agravou a situação do desembargador Asdrubal Zola Vasquez Cruxên, ex-titular da Vara de àrfãos e Sucessões e atual vice-presidente do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. O documento confirma as denúncias contra o desembargador na administração do espólio do menor Luiz Gustavo Nominato. Herdeiro de um patrimônio avaliado em US$ 30 milhões em 1987, o adolescente de 14 anos vive hoje em dificuldades e é devedor de cerca de US$ 4 milhões em impostos e ações trabalhistas resultantes da forma fraudulenta como Cruxên e os administradores por ele nomeados administraram as dez empresas deixadas por seu pai, Washington Nominato.
Diante do conteúdo do documento, a CPI decidiu convocar o relator da comissão de sindicância do BC, Antonio José Heitor, para depor na terça-feira. A sindicância, aberta em janeiro de 1992, investigou o Consórcio Nacional Itapemirim, principal empresa do espólio. Advogado e perito, no dia de seu depoimento Heitor vai pedir garantias de vida aos senadores, pois vem sofrendo ameaças e agressões desde que fez o trabalho para o BC. Segundo ele, a sindicância mostrou que as dívidas no consórcio alegadas por Cruxên para justificar a venda de nove empresas foram contraídas quando o espólio já estava em andamento. O dinheiro, ao contrário do que afirma o desembargador, foi desviado, e não aplicado no Consórcio Itapemirim.
O relator vai sugerir à CPI que proceda ao rastreamento de vários cheques sacados nas contas do consórcio. Segundo ele, houve má vontade do presidente da comissão de inquérito do BC, Luiz Dias Pinto, a quem competiria proceder a esse mapeamento. Ainda assim, sem ter atingido todos os alvos, a sindicância do banco revela que essa parte da herança foi aplicada, entre outros fins, na compra de artigos para construção, no pagamento de honorários de advogados e no custeio de viagens ao exterior.
Conveniência - "O Consórcio não tinha dívidas", afirmou o perito. O relatório do BC informa que os administradores indicados por Cruxên "não tomaram conhecimento do último balanço do consórcio assinado por Nominato". "Houve ainda pagamentos diversos, sem identificação pormenorizada lançados a débito de Nominato após sua morte, sem nenhuma justificativa". Em outro item, a sindicância do BC, que resultou na liquidação do consórcio, constata que "o relatório de prestação de contas sobre os bens do empreendimento foi preparado segundo a conveniência dos administradores e apresentado em juízo".


