Relatório do BC aponta irregularidade no BFC14/Mar, 18:59 Por Gustavo Alves Rio, 14 (AE) - Inquérito realizado pelo Banco Central (BC) apontou que na gestão de Francisco Gros no banco BFC houve retirada de recursos da instituição para sua controladora, a Sapucaia. A movimentação causou prejuízo de R$ 958.032,80, segundo o relatório do inquérito, encerrado em 28 de junho de 1996 - e foi uma das razões do passivo a descoberto de R$ 66,619 milhões do BFC, segundo o documento. O passivo levou à liquidação extra-judicial do BFC pelo BC em 4 de dezembro de 1995, quando Gros, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), já não estava mais no banco. A movimentação foi confirmada pela perícia judicial realizada para a ação que corre na 5ª Vara Federal Cível na qual os sócios da Sapucaia, Ricardo Fernandez e Luís Otávio Almeida Carneiro, pediram a suspensão da liquidação do BC. O Ministério Público Federal já tem uma cópia da perícia, que será usada no inquérito civil público em que os procuradores Silvana Batini e Rogério Nascimento averiguam se Gros teria reputação ilibada para exercer o cargo de presidente do BNDES. A transferência de dinheiro é tratada como "desvio" pelo BC no processo, contestando as razões dos autores da ação para suspender a liquidação. O dinheiro foi usado para a compra de uma empresa de informática, a Eden. O perito judicial Victorino Ferreira, cujo trabalho baseou-se em perguntas feitas pelas partes envolvidas no processo, não quis confirmar esta tese. Ele disse que empresas podem retirar recursos de controladas para adquirir outras companhias, mas ressalvou que a legislação bancária "exige uma rigidez maior", em relação a este procedimento. De acordo com o andamento do processo na 5ª Vara Federal Cível, a perícia judicial terá de ser apreciada agora por todas as partes envolvidas - os sócios da Sapucaia, o BC e a Fazenda Nacional. A liquidação do BFC foi suspensa liminarmente pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) - mas o mérito da ação ainda não foi julgado. Confiança no BC - A fiscalização do BC detectou prejuízos nas gestões do BFC de 21 de junho de 1990 até a sua liquidação extra-judicial - exceto no período em que Gros foi diretor-presidente da instituição pela segunda vez, em 1993. Ele exerceu a função de 28 de abril até 27 de dezembro, naquele ano - e durante esta época, não foram apurados prejuízos. Gros foi o único ex-diretor do BFC a não contestar as conclusões do BC dentro do próprio inquérito. Segundo o relatório do Banco Central, o presidente do BNDES declarou que, "por ter sido presidente do Banco Central do Brasil por duas vezes, confiava no seu corpo técnico". Ele chegou a ser denunciado pelo Ministério Público Federal por sua gestão no BFC - mas o processo foi extinto por um habeas-corpus obtido no STJ. A reportagem da AGÊNCIA ESTADO tentou entrar em contato com Gros hoje para comentar as conclusões do inquérito do BC. A assessoria de imprensa do BNDES, no Rio, informou que ele estava em Brasília (DF) e não conseguiu encontrá-lo. Até o fim da tarde o presidente do BNDES também não respondeu à mensagem deixada em seu telefone.

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