Relatório diz que 90% das mortes no campo foram anunciadas
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segunda-feira, 15 de setembro de 2003
Agência Estado 
São Paulo - O relatório ''Execuções Sumárias no Brasil'', lançado ontem pelo Centro de Justiça Global, em parceria com o Núcleo de Estudos Negros, afirma que 90% das 331 pessoas ligadas à luta da reforma agrária que foram assassinadas entre janeiro de 1997 e agosto de 2003 estavam ameaçadas de morte, mas o governo nada fez para evitar o crime. ''O Estado não reage nem quando a morte é anunciada'', dizem os autores do documento, segundo o qual ''não se tem conhecimento de uma única ameaça que, reportada às autoridades estaduais e federais, resultou em investigação para apurar os responsáveis''. Das 331 vítimas, 44 foram mortas entre janeiro e agosto deste ano. De 1985 a 2000, foram mortos 1.280 trabalhadores no campo.
Está aumentando o número de assassinatos de índios na disputa pela posse da terra. Nos primeiros oito meses de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foram mortos proporcionalmente mais índios que nos seis anos anteriores 18 mortes de janeiro a agosto deste ano, contra 91 registradas de 1997 até 2002.
Resultado de um levantamento que envolveu 18 pesquisadores num trabalho de dez meses em 24 Estados, o relatório ''Execuções Sumárias no Brasil'' descreve 349 casos de extermínio que, em sua avaliação, se equiparam a episódios de repercussão internacional, como Eldorado dos Carajás, Candelária, Carandiru, Corumbiara e Favela Naval.
CHACINA - Cerca de 300 homens das polícias Militar e Civil do Pará estão nas estradas e matas de São Félix do Xingu, no sul do Pará, para tentar prender os assassinos que na última sexta-feira mataram com tiros na cabeça sete trabalhadores rurais e o fazendeiro Antonio Vieira da Silva, dentro da Fazenda Primavera. Cinco suspeitos já foram identificados por dois sobreviventes da chacina que estão sob proteção policial. Doze retratos falados feitos por essas testemunhas estão sendo usados na investigação.
Além do dono da fazenda, Antônio Vieira da Silva, as vítimas identificadas foram os empregados Justino Pereira da Silva, Antônio da Conceição, e mais cinco homens conhecidos por Pedro Formiga, Eliseu, Maurício, Penteado e Baixinho Moreno.


