Relatório denuncia trabalho escravo em dez fazendas no Pará
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de abril de 1999
por Carlos Mendes, especial para AE 
Belém, 5 (AE) - Em dez fazendas no sul e sudeste do Estado predominava o trabalho escravo, segundo aponta relatório do Ministério do Trabalho, através da Delegacia do Trabalho no Pará (DRT). Em pouco mais de dois anos de fiscalização, 850 trabalhadores foram libertados em operações conjuntas do Ministério do Trabalho e Polícia Federal.
Os fazendeiros pagaram multas e estão sendo processados pelo Ministério Público Federal. Eles não assinavam a carteira dos trabalhadores, cobravam preços absurdos pela comida servida nos alojamentos e impediam, com pistoleiros armados, que alguém fugisse ou deixasse espontaneamente o local.
As fazendas autuadas estão localizadas nos municípios de Eldorado dos Carajás, água Azul do Norte, Sapucaia, Santana do Araguaia, Santa Maria das Barreiras, Rio Maria, Floresta do Araguaia, Tucuruí e Banach. O superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no sul do Pará, Vitor Hugo da Paixão Melo, disse que o confisco dessas fazendas pelo governo federal não pode ser feito.
Segundo ele, isso só poderia ocorrer se nas propriedades fossem descobertas plantação de maconha ou outras substâncias entorpecentes. Melo informou que técnicos do setor fundiário do Incra em Marabá vão começar a levantar a situação das fazendas citadas no relatório para uma possível desapropriação para fins de reforma agrária. "Essas terras podem aumentar o nosso estoque para o assentamento de famílias".


