Relatório de Cox reforça visão chinesa de hostilidade dos EUA
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terça-feira, 25 de maio de 1999
Por Christopher Bodeen 
Pequim, 26 (AE-AP) - Para chineses já inflamados com o bombardeio da Otan contra a embaixada de Pequim em Belgrado, as acusações de um relatório dos EUA de que a China roubou segredos nucleares são mais uma prova da hostilidade americana.
Do Ministério do Exterior chinês aos cidadãos nas ruas de Pequim, as posições eram quase unânimes hoje (26) de que o relatório era uma tentativa de desviar a atenção do bombardeio de 7 de maio que Washington afirma ter sido um erro mas que a maioria aqui acredita foi deliberado.
"Eles estão apenas desviando o alvo", disse Wang Jing, um trabalhador, enquanto almoçava num restaurante de Pequim.
"Os Estados Unidos estão lentamente transformando a China num inimigo. Agora que a União Soviética se foi, somos o último grande país socialista que sobrou", afirmou um professor aposentado, de sobrenome Wang.
Os sentimentos ainda são fortes depois do ataque à embaixada que matou três pessoas e trouxe dezenas de milhares de chineses às ruas para protestar.
A maioria dos chineses viu o bombardeio como uma prova da existência de uma campanha dos EUA para suprimir o crescimento econômico e influência política do país. As vítimas foram oficialmente veneradas como mártires nacionais, e a mídia estatal está desde então cheia de propaganda nacionalista retratando a China como uma vítima da brutalidade dos EUA.
Essas noções generalizadas foram fortalecidas pelo relatório de terça-feira, compilado por uma Comissão Parlamentar de Inquérito presidida pelo republicano Christopher Cox. O relatório afirma que um esforço de espionagem de duas décadas que provavelmente continua até hoje colocou a China em condições de desenvolver modernas ogivas nucleares móveis tão boas quanto as americanas.
O Ministério do Exterior denunciou que as alegações do relatório de Cox não têm fundamento e foram propagadas por "forças anti-China" determinadas a pintar a China como uma ameaça e sabotar os laços entre os dois países.
Num editorial com tons que se tornaram familiares desde o bombardeio da embaixada, o jornal do Partido Comunista, Diário do Povo, acusou Washington de "jogar-se em desgraça" ao fabricar alegações contra a China.
Não tratando diretamente do relatório de Cox, o comentário rebate acusações de que a China contribuiu ilegalmente para a campanha eleitoral do presidente Bill Clinton.
"Em ordem de pintar a China como um demônio maligno, os Estados Unidos forjam todo tipo de contos fantásticos", escreveu o Diário do Povo.


