Relatório de Campelo aponta padres como "subversivos"
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domingo, 13 de junho de 1999
Por Mariângela Gallucci 
Brasília, 14 (AE) - O novo diretor-geral da Polícia Federal, João Batista Campelo, redigiu um relatório em 17 de agosto de 1970 no qual qualifica como subversivos os padres José Antonio de Magalhães Monteiro e Xavier Gilles de Mapeou dAbleiges.
O primeiro deles afirma ter sido torturado durante o inquérito policial conduzido na época por Campelo. O relatório do diretor da PF está no processo judicial movido contra os dois sacerdotes e arquivado pelo Superior Tribunal Militar (STM) por falta de provas.
Após relatar a apreensão de panfletos, cartas, publicações seriadas e materiais nas escrivaninhas dos dois sacerdotes, o então inspetor afirmou que os documentos confirmavam "as atividades subversivas que clandestinamente vinham sendo efetuadas pelos indiciados".
Dentre os materiais apreendidos, Campelo citou "Hora da Luta", "Partido de Vanguarda" e "Relatório da Organização".
"Nos referidos materiais são abordados vários temas que a uma simples leitura patenteiam o caráter de inconformismo político-social, de ataque às instituições governamentais e à própria estrutura política e econômica do País", relatou Campelo.
Em seu relatório, o próprio Campelo faz menção às alegações de um dos padres de que teria sido torturado. "Vários panfletos foram espalhados nesta cidade de São Luís (MA), acusando a Polícia Federal e o presidente deste inquérito de torturas", afirmou.
Exame de corpo de delito feito em Monteiro pela Secretaria de Segurança Pública do Maranhão na época apontou que o sacerdote tinha escoriações nos antebraços. Os peritos alegaram que não tinham elementos para precisar se as lesões foram produzidas de forma cruel. O padre sustentou ter sido esbofeteado, amarrado nos pulsos e nos pés e suspenso do solo.
No interrogatório na auditoria da 10ª Região Militar, em 2 de setembro de 1970, o padre Monteiro afirmou que enquanto era torturado ouvia frases como "Comunista se trata assim mesmo". A auditoria absolveu os padres alegando que não existiam provas que configurassem qualquer ato dos sacerdotes contrário à Segurança Nacional.
Também argumentou que testemunhas do caso contestaram na Justiça as suas próprias declarações prestadas no inquérito policial. Segundo a decisão, as testemunhas alegaram ter sofrido coação física e moral por parte de policiais.
A auditoria decidiu também enviar cópia do processo para o Ministério da Justiça para que fossem apuradas as acusações de tortura. A decisão da auditoria foi confirmada pelo STM.


