Brasília, 30 (AE) - Os narcotraficantes estão difundindo o crack em Minas Gerais, principalmente na região do Triângulo Mineiro, onde estão sendo realizadas muitas ocorrências, segundo mostra um relatório do serviço de inteligência da Polícia Militar de Minas (PM-2), feito dia 31 de março. O relatório, que registra ocorrências entre julho de 1997 e março de 1999, mostra que o crack já é a segunda droga mais apreendida em Minas, incluindo municípios na divisa de São Paulo, Estado que está entre os recordistas em consumo de crack.
As estatísticas da PM-2 mostram que no ano passado foram apreendidas 14 mil pedras de crack em Minas, totalizando 446 quilos da droga. Os dados só permitem comparação com o segundo semestre de 1997, quando foram apreendidas 4,9 mil pedras de crack, totalizando 57 quilos. O relatório da PM-2 mostra ainda que o crack já é a segunda droga mais apreendida em Minas, perdendo apenas para a maconha. Os números revelam que a maconha pode estar perdendo terreno para o crack em Minas, pois somente no segundo semestre de 1997 foram apreendidas 3 toneladas de maconha, três vezes o volume apreendido em todo o ano passado (730 quilos). Menos cocaína - As apreensões de crack superam em muito a quantidade de cocaína que a PM de Minas recolheu. Em todo o ano de 1998 foram apreendidos 4,6 mil papelotes de cocaína, totalizando 142 quilos da droga. Os dados fornecidos indicam que é decrescente a quantidade de cocaína apreendida, pois somente no segundo semestre de 1997 foram apreendidos 220 quilos da droga.
O relatório da PM-2 de Minas não permite comparações com o ano de 1999, pois traz dados somente dos primeiros três meses do ano. De janeiro a março, foram apreendidas 3 mil pedras de crack, 150 quilos de maconha e 1,8 mil papelotes de cocaína. O relatório aponta, ainda, que o crack estaria sendo difundido principalmente no Triângulo Mineiro, uma das regiões mais desenvolvidas do Estado. No pequeno município de Conceição das Alagoas, cidade de apenas 20 mil habitantes, há registros de apreensão de crack. No dia 6 de setembro do ano passado, foi preso em Conceição das Alagoas o traficante Geraldo Pereira Matos, com 20 quilos de crack e cocaína. A droga tinha sido comprada em Uberaba, que fica a 50 quilômetros da cidade.
Na mesma Conceição das Alagoas, foram presos em 7 de outubro do ano passado Carlos Roberto da Silva e Denise Lima Silva Vieria, com nove pedras de crack. Ambos moravam em Miguelópolis (SP), cidade que fica do outro lado da ponte que liga os dois Estados, ao lado da Hidrelétrica de Volta Grande. Em Uberaba, foi presa em 8 de novembro do ano passado a traficante Alessandra Rodrigues Faria, de 21 anos, com 74 pedras de crack. A droga tinha vindo de Brumadinho. Ainda em Uberaba, foi preso dia 7 de janeiro o traficante Luciano Cassiano Teixeira, com 49 pedras de crack e vários materiais para embalar droga.
Em Araxá, também no Triângulo Mineiro, foi preso em 26 de setembro do ano passado a traficante Zélia Pereira Bessa, com 56 pedras de crack. O crack também teria invadido a cidade histórica de Ouro Preto. Em 5 de janeiro deste ano, a Polícia Militar prendeu o traficante Francisco Matosinhos, o Gambá, que estava com 83 pedras de crack. Em São Francisco do Paraíso, foi preso dia 18 de setembro do ano passado o traficante Sílvio Barbosa Barros, com 500 gramas de crack. Jovens - O relatório da PM-2 de Minas mostra que o narcotráfico está aliciando pessoas jovens para distribuir o crack. Das 41 ocorrências registradas desde o segundo semestre do ano passado, oito envolveram menores e 19 implicaram pessoas com menos de 27 anos. Em Varginha, foi presa em outubro de 98 uma garota de 12 anos, envolvida na apreensão de 300 gramas de cocaína. Em Piumhi
foi preso um garoto de 12 anos, em outubro do ano passado, com 1,7 quilo de maconha prensada, dentro de um ônibus que fazia a linha entre Belo Horizonte e Ribeirão Preto (SP). Na mesma Piumhi, um casal de traficantes e uma garota de 15 anos foram presos, em novembro do ano passado, com 173 gramas de crack.
O relatório do serviço de inteligência da PM de Minas foi entregue à CPI do Narcotráfico, que está traçando uma radiografia do tráfico em todo o País.

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