Relatório da Ouvidoria revela que policiais mataram 148 pessoas no primeiro trimestre em SP
São Paulo, 15 (AE) - Nos três primeiros meses deste ano policiais civis e militares mataram 148 pessoas no Estado, duas a mais do que no mesmo período do ano passado. A Polícia Militar 123 e a Polícia Civil, 25. O maior número de mortos foi registrado em janeiro: 53.
Também entre janeiro e março deste ano morreram no Estado 73 policiais militares, 68 em horário de folga. Os policiais civis assassinados foram 7. Os dados constam do relatório divulgado hoje pela Ouvidoria da Polícia. "Um detalhe que merece reflexão por parte da PM se refere ao alto índice de suicídios", explicou o ouvidor Benedito Domingos Mariano.
Segundo ele, no primeiro trimestre de 1998 um policial militar matou-se. Este ano, já são 11. "O comandante da corporação disse que estuda a adoção do programa de saúde mental e está criando grupos de acompanhamento para amparar os policiais", adiantou o ouvidor.
O comando da PM informou que dos 11 suicídios, 87% estavam no serviço ativo e 13% licenciados. Os homens eram maioria - 90,6%. As mulheres, 9,37%. Os motivos que levaram ao suicídio, segundo a corporação, foram: problemas conjugais, 31 35%; problemas conjugais e alcoolismo, 12,5%; alcoolismo, 6,25%; financeiro, 9,37%; doença, 9,37%; problemas afetivos, 3,12%; roleta-russa, 3,12%; e ignorados, 24,92%.
Dos militares que se mataram, 43,75% estavam na corporação havia cinco anos, 21,87% de 5 a 10 anos e 34,38% acima de 10 anos. O comportamento disciplinar dos suicidas: excepcional, 25%; ótimo, 9,37%; e bom, 65,63%. Queixas - O relatório de 37 páginas traz ainda gráficos, tabelas e relatos de queixas levadas pela população ao conhecimento da Ouvidoria. O abuso de autoridade está no topo da lista do primeiro trimestre, com 199 reclamações.
A solicitação para intervenção em pontos de drogas, a má qualidade no atendimento nas delegacias e batalhões, a falta de policiamento, ameaças feitas por policiais, espancamentos e o tráfico de drogas, com a participação de policiais, são algumas das denúncias encaminhadas pela Ouvidoria para as polícias.
O ouvidor mandou também elogios feitos às duas corporações. Em 1.249 denúncias contra as corporações, a Polícia Militar recebeu 12 elogios e a Polícia Civil, 3. Assassinatos - Entre os casos recebidos, o ouvidor destacou no relatório assassinatos e espancamentos praticados por militares e policiais civis na capital, Grande São Paulo e no interior. Uma das vítimas da violência policial foi uma artesã da cidade de Ribeirão Preto. P.S.B.F. desentendeu-se com um rapaz numa feira de artesanato e ao voltar para casa foi procurada pelo pai do jovem. Ele estava acompanhado de militares e a artesã foi agredida por um dos policiais.
Depois de receber socos e pontapés, correu para o interior da residência, foi seguida pelos militares e voltou a ser agredida na presença do marido e seus três filhos, ameaçados por outros policiais. A artesã foi levada para o Distrito Policial central de Ribeirão Preto e internada no Hospital das Clínicas da cidade em consequência dos ferimentos: hemorragia interna, mandíbula e duas costelas fraturadas.
"Comuniquei à Procuradoria-Geral de Justiça, à Corregedoria da Polícia Militar, à Polícia Civil e estou esperando o resultado das providências", informou Mariano. (Renato Lombardi).





