Relatório da oposição provoca polêmica por citar suborno a vereadores
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quarta-feira, 12 de abril de 2000
Por Marcus Lopes e Flávio Mello 
São Paulo, 13 (AE) - O relatório preparado pela oposição para admissibilidade da denúncia contra o prefeito Celso Pitta (PTN) acabou provocando polêmica entre os próprios vereadores, na Câmara Municipal. O motivo foi a parte do documento que cita o suposto suborno pago pela Prefeitura a vereadores da bancada governista, cdomo Bruno Feder (PTB), Faria Lima (PMDB), Armando Mellão (PMDB) e o ex-presidente da Câmara e atual deputado federal Nelo Rodolfo (PMDB).
"Quero analisar muito bem essa parte do relatório antes de emitir minha opinião", disse o líder do PMDB, Jooji Hato. "Isso pode prejudicar todo o processo", disse Hato. Outro que ficou preocupado foi Toninho Paiva (PFL). "Eles colocaram o nome de alguns vereadores, o que pode provocar uma reação contrária no decorrer do processo", afirmou Paiva.
O líder afastado do governo e relator da comissão, Brasil Vita (PPB), cumpriu o que havia prometido nos últimos dias. Em um relatório de 32 páginas, Vita procurou desqualificar juridicamente as denúncias contra o prefeito Celso Pitta (PTN). O principal alvo de Vita foi a ex-primeira-dama do Município, Nicéa Pitta, e o filho do casal, Victor. Segundo o relator da comissão, os depoimentos de ambos ao Ministério Público Estadual (MPE) não devem ser levados em consideração.
"Eles são apenas informantes dispensados de assumir o compromisso da verdade", afirmou Vita, que foi o relator da comissão. No relatório, afirmou que Nicéa se encontra "em estado emocional perturbado". Vita disse ainda que a separação do casal pode ter influenciado Nicéa. "Não podemos esquecer que ela fez as denúncias dias depois da separação oficial", disse Vita.
O vereador provocou risadas as citar tragédias gregas em seu relatório. "Ao contrário de Medéia, da tragédia de Eurípedes, Nicéa jogou o filho contra o pai", escreveu. Foi citado ainda o episódio em que Victor teve forte discussão com o pai, em seu gabinete, no Palácio das Indústrias. "Após a discussão ele quebrou vários objetos de uma sala da Prefeitura."


