O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), Jacques Diouf, disse ontem, em Brasília, que a meta definida na Cúpula Mundial de Alimentação, em 1996, de reduzir em 20 milhões a cada ano o número de pessoas desnutridas no mundo não está sendo cumprida.
Conforme dados apresentados por ele, a redução do número de desnutridos tem ficado em torno de 8 milhões anuais. A meta da Cúpula Mundial de Alimentação previa a redução pela metade do total de 800 milhões de pessoas desnutridas no mundo até 2015. Diouf atribuiu o não cumprimento da meta ao baixo investimento.
O diretor da FAO foi recebido pela manhã no Palácio da Alvorada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, e foi recepcionado com almoço pelo secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Luís Felipe de Seixas Correa.
Segundo Diouf, está sendo difícil mobilizar os recursos necessários para a redução do índice de desnutrição. Ele comentou que os países desenvolvidos repassam atualmente aos países em desenvolvimento para o combate à desnutrição e como incentivo à agricultura um volume 6% inferior ao que era destinado em 1990.
O diretor-geral da FAO ressaltou que este porcentual vem caindo a cada ano, o que vem ocorrendo até mesmo com as verbas repassadas pelo Banco Mundial e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Para ele, este fato ‘‘é surpreendente e difícil de explicar’’.
Diouf revelou que a meta da FAO agora é ampliar o apoio político ao programa de combate à fome, envolvendo ministros da Fazenda e do Planejamento em todo o mundo.
Sobre o Brasil, Diouf informou que 10% da população não recebem alimentação adequada. A Ásia, segundo ele, é o continente com maior número de pessoas desnutridas. Ressaltou, entretanto, que proporcionalmente é na África onde é encontrado o maior número de pessoas desnutridas.
Os dados integram relatório anual, publicado pela FAO, sobre o estado de insegurança alimentar mundial. Conforme esse estudo, está crescendo o número de famintos na América Latina, principalmente entre os sem-terra.
Diouf elogiou o programa de reforma agrária brasileiro. ‘‘As realizações do governo nos impressionam’’, disse, referindo-se ao número de hectares distribuídos, mas lembra que essa é a parte mais fácil. O maior problema a ser enfrentado, comentou, é fazer o pequeno agricultor produzir de forma sustentável e gerar renda.
A FAO tem colaborado com capacitação de técnicos que orientam os agricultores familiares e também com a transferência de tecnologia, desde 1996.

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