Relatório da CPI dos Fiscais deve ser concluído amanhã
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domingo, 06 de junho de 1999
Por Uilson Paiva 
São Paulo, 07 (AE) - O relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais sobre os vereadores Maeli Vergniano (sem partido) e José Izar (PFL) deve ser concluído amanhã à noite pelo relator da comissão, vereador Milton Leite (PMDB). Hoje a CPI concedeu um prazo, que se encerra às 18 horas de amanhã, para a apresentação das alegações finais de defesa dos dois vereadores, acusados, entre outras coisas, de irregularidades nas Administrações Regionais de Pirituba (Maeli) e Lapa (Izar).
O relatório deve recomendar ou não a cassação dos vereadores - o que seria feito mediante a instalação de uma comissão processante, a exemplo da que está em andamento sobre o vereador Vicente Viscome. Leite deve recomendar a cassação de Izar e Maeli. Na comissão, esse parecer será acompanhado pelos vereadores Dalton Silvano (PSDB) e pelo presidente da CPI, José Eduardo Martins Cardozo (PT). Dos dois representantes da base governista - Brasil Vita e Wadih Mutran, ambos do PPB -, a única garantia é que Mutran votará contra qualquer punição aos vereadores.
As principais acusações contra Maeli são a de uso particular de veículos cedidos pela empresa Vega Engenharia Ambiental, que coleta lixo na região dominada pela parlamentar, em Pirituba. Em depoimento à comissão, o ex-motorista da vereadora Eliseu Sanches afirmou que utilizava o veículo, um Fiat Uno, para levar diariamente os filhos dela ao Colégio Dante Alighieri, nos Jardins. O combustível era pago pela Vega.
Depois de Sanches, o carro passou a ser dirigido por Antonio Rodrigues, conhecido como Toninho, um funcionário da Vega. A vereadora negou o uso do carro, assim como seu marido, Josué Magliarelli. A CPI tem em mãos, no entanto, entre outras provas, uma planilha de abastecimento do Fiat Uno, de placa CGX-9235, remetida pela empresa Vega, onde aparece sete vezes o nome de Magliarelli ao lado da placa do carro. Por conta desse fato, Maeli foi indiciada em inquérito da Polícia Civil por formação de quadrilha e peculato.
Cozinheira - Do ponto de vista parlamentar, a vereadora teria quebrado decoro do mandato ao contratar a cozinheira particular de sua casa, Maria Rodrigues, como funcionária de seu gabinete na Câmara. A cunhada de Maeli, Dorcas Magliarelli, que mora e trabalha como professora em Botucatu, a 225 quilômetros da capital, também foi contratada como chefe de gabinete de Maeli.
Sobre a vereadora ainda pesam denúncias de contratação de funcionários fantasmas na Anhembi Turismo, que foram deslocados para seu gabinete e sua campanha eleitoral. Hoje à tarde a CPI colheu os depoimentos de dois integrantes da Igreja Assembléia de Deus, a que pertence a parlamentar, arrolados como testemunhas de defesa. Outro testemunho convocado pela defesa foi o do ex-vereador e atual deputado federal Nelo Rodolfo (PMDB), mas ele não compareceu. Os depoimentos do pastor Aparecido Venâncio e do estagiário de direito Alexandre Soares apresentaram várias contradições em relação ao da própria vereadora e de outras testemunhas ouvidas pela CPI. "Não acrescentaram muita coisa, quase nada", observou o relator Leite.
Pedido negado - Sobre o vereador José Izar pesam denúncias de comandar um esquema de cobrança de propinas na Administração Regional da Lapa. Os lesados seriam camelôs e comerciantes da região. Izar teria ainda forçado comerciantes e empresários da Lapa a colaborar na campanha de seu irmão, Williams Izar, para deputado no ano passado.
Hoje, estavam previstos, como testemunhas de defesa de Izar, os depoimentos dos deputados federais José Índio do Nascimento e Arnaldo Faria de Sá, e os estaduais Reynaldo de Barros Filho e Conte Lopes, todos do PPB. Eles deveriam ser levados à CPI pela defesa do vereador, que não o fez e solicitou hoje, na data do depoimentos, que eles fossem intimados. Os integrantes da CPI indeferiram o pedido e não houve os depoimentos.


