São Paulo, 25 (AE) - O esquema de arrecadação de propina na Administração Regional da Lapa envolveu até casos de assédio sexual, segundo o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) publicado hoje no Diário Oficial do Município. O gráfico do esquema mostra que mulheres jovens, que não tinham como pagar a propina cobrada em dinheiro seriam obrigadas a manter relações com os fiscais. O assessores do vereador José Eduardo Martins Cardozo (PT), que presidiu a CPI dos Fiscais, informaram hoje que essa denúncia foi feita pelo ex-fiscal Nílson Santos, conhecido como Irmão. As informações foram incluídas no parecer final da comissão pelo relator, vereador Mílton Leite (PMDB).
De acordo com os assessores, o ex-fiscal não indicou nomes. "Foi um relato genérico. Relatei apenas o que os depoentes contaram e, como achei isso um absurdo, fiz questão de incluir no relatório", disse Leite. A Administração Regional da Lapa foi controlada pelo vereador José Izar (PFL), que no organograma do esquema de propina aparece como o responsável. O nome do irmão de José Izar, Willians, também consta do relatório. Ele teria sido beneficiado pelo uso da máquina administrativa e de servidores público em sua campanha para deputado estadual. José Izar foi denunciado pela CPI dos Fiscais. A Câmara já instaurou Comissão Processante para ouvir sua defesa e analisar as acusações.
O vereador tem frequentado diariamente as sessões na Câmara, mas evita a imprensa. Nos últimos dias, ele tem indagado a assessores políticos da Câmara quem são os jornalistas que fazem reportagens a seu respeito. José Izar foi procurado hoje pela reportagem, mas não foi localizado em seu gabinete nem em seu telefone celular. No escritório parlamentar, um funcionário, que não se identificou, disse que o vereador só poderia ser encontrado segunda-feira na Câmara Municipal. Recomendação - A CPI dos Fiscais começou em março e terminou no dia 12 de junho. Cardozo e Dalton Silvano (PSDB) tentaram prorrogá-la por mais 90 dias, mas o bloco governista impediu a continuidade das investigações no Legislativo. A estratégia, para evitar que outros parlamentares fossem atingidos pelas investigações e evitar o ganho político por parte do PT, incluiu também o arquivamento do pedido de impeachment contra o prefeito Celso Pitta (sem partido).
Cardozo e Silvano fizeram um voto aditivo ao relatório final da CPI e propuseram a criação de mais cinco comissões. Eles entendem ser necessária a continuidade das investigações. De acordo com os parlamentares, devem continuar sendo investigadas as 23 administrações regionais restantes. "Temos várias denúncias que nem sequer chegamos a apurar", afirmou Cardozo. Além das regionais, Silvano e Cardozo recomendaram a apuração de denúncias no Plano de Atendimento à Saúde (PAS), na contratação de funcionários em empresas municipais como a Anhembi Turismo e Eventos da Cidade de São Paulo, no Serviço Funerário Municipal e também nas Delegacias Regionais de Ensino da rede municipal.
O relatório assinado por Leite não sugere a continuidade das investigações. De acordo com o vereador, os sistemas de fiscalização e de concessão de licenças têm de ser modernizados.

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