Relatório da CPI dos Bancos é lixo, diz diretor do BC
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sexta-feira, 26 de novembro de 1999
Por Vânia Cristino 
Brasília, 26 (AE) - O diretor de Fiscalização demissionário do BC, Luiz Carlos Alvarez, rebateu hoje, uma a uma, as questões levantadas no relatório da CPI do Sistema Financeiro referente ao programa de Apoio à Reestruturação do Sistema Financeiro Nacional (Proer). O ex-diretor classificou o relatório de uma sucessão de erros e chegou a dizer que era um "lixo". A seguir as principais frases do ex-diretor:
- Sobre o relatório de uma forma geral - "É o relatório com mais impropriedades e incorreções que já vi numa CPI por se tratar de sistema financeiro, que poucas pessoas sabem com profundidade". "As conclusões são apressadas, feitas por gente até com boa vontade, mas sem conhecimento". "Se esse relatório fosse apresentado a mim por um funcionário meu, eu o mandaria embora". "Pior do que confundir banana com laranja, que são duas frutas, é confundir macaco com laranja, que são coisas completamente diferentes e, aliás, macaco nem gosta de laranja." "O relatório é completamente equivocado."
- Sobre a aceitação de títulos "podres" pelo BC como garantia para o Proer. "Como é possível acusar alguém de fazer alguma coisa que a lei prevê? Como podem dizer que há ilícito, se o BC cumpriu a lei que foi aprovada por eles? Quando a União refinanciou os estados em 30 anos com IGP mais 6% houve imoralidade?".
- Sobre favorecimento ao HSBC na compra do Bamerindus. " Entendo que o senador não esteja satisfeito. Que o senador conteste eu entendo. O que estranho é que pessoas que deveriam ter um cuidado maior ao ouvir reclamações de quem quebrou um banco, dêem curso a esse tipo de reclamação". -Sobre a negociação do Econômico. -"Para a reabertura do Econômico todo mundo sabe que houve pressão política. Havia também argumentos técnicos importantes." -Sobre a negativa do BC em fornecer documentos. "É mentira. Estão acusando o BC de negar uma coisa que eles não pediram".
-Sobre as falcatruas do Banco Excel denunciadas pela revista IstoÉ. -"Quem lê a reportagem sabe que o Ministério Público só está investigando porque nós encaminhamos a notícia-crime. É uma impropriedade pedir ao Ministério Público que investigue as falcatruas do Excel se elas já estão sendo investigadas".
-Sobre o favorecimento do BC aos compradores dos bancos Bamerindus, Econômico e Nacional.
-"Não houve nenhum favorecimento. Nós não podíamos exigir que um banco, que assumiu a poupança junto ao público mas não ficou com carteira imobiliária aplicasse tudo em financiamento habitacional no dia seguinte. Isso também foi feito no caso dos bancos estaduais, mas ninguém fala disso. Não posso querer um mau negócio para o comprador senão ele quebra aií na frente e gera, novamente, todo o problema".
-Sobre prejuízos para os acionistas minoritários. " Os acionistas minoritários ou majoritários do Econômico, Bamerindus e Nacional eram acionistas de uma empresa que quebrou. Todos perderam. As ações viraram pó. Não há o que reclamar. Todo mundo sabe que ação é um investimento de risco".


