Relatório aponta tráfico de mulheres na fronteira
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quinta-feira, 20 de novembro de 1997
Antônio França Foz do Iguaçu 
Ney de Souza/Arquivo FolhaRegime de servidãoDalila Figueiredo denuncia aliciamento de menores e cárcere privadoA presidente da Comissão Especial da Câmara dos Deputados, Dalila Figueiredo (PSDB-SP), que investigou o tráfico de mulheres e a prostituição infantil entre Brasil e Paraguai, principalmente no eixo entre Foz do Iguaçu e Salto del Guayrá, divulgou ontem à tarde o relatório da visita feita nas casas de prostituição da região. No documento, enviado ao ministro da Justiça Iris Resende, a deputada denuncia a existência de uma rede internacional de tráfico de mulheres, que agencia principalmente menores de idade para se prostituir em bordéis do Paraguai.
A deputada visitou várias casas de prostituição em cidades paraguaias e constatou que mulheres e adolescentes brasileiras foram aliciadas para trabalhar em comércio ou casas de família, mas acabaram sendo obrigadas a se prostituir. Há mulheres, algumas menores de idade, em locais cuja situação é de cárcere privado. Os quilombos (zona de baixo meretrício no Paraguai) são cercados por muros altos, com guardas armados, em regime de servidão através de dívidas impagáveis, constata a deputada.
Na visita de três dias, junto com membros do Centro de Direitos Humanos de Foz do Iguaçu (CDH), a Comissão conseguiu resgatar duas menores brasileiras: as adolescentes G.S. e F.N., ambas de 16 anos de idade. A Comissão teve pagar uma dívida de 50 mil guaranis (cerca de R$ 25,00) para resgatar a F.N. que estava há dois dias na boate Los Três Coqueiros. F. estava doente e apresentava sintomas de várias doenças venéreas, como sífilis. Outra menor, a brasiguaia T.B.M., de 15 anos, não pode ser resgatada. Ela deve 1.800.000 guaranis (cerca de R$ 800) para a dona da boate.
No relatório, a deputada pediu que o governo firme acordo com o Paraguai para instalar grupos de trabalho, envolvendo os Ministérios das Relações Exteriores dos dois países, para repatriar as menores, além de fazer um levamento criterioso da situação. Dalila sugere um intercâmbio entre a Polícia Federal e a Polícia Nacional Paraguaia para reprimir agenciadores que atuam na região de fronteira.
Em relação a mulheres maiores de idade, exigimos um levantamento daquelas que queiram voltar ao Brasil e estão constrangidas por causa de dívidas ilegítimas contraídas com donos de boates ou por coação, sugere a deputada.


