Rio de Janeiro, 25 (AE) - O relatório sobre o vazamento de óleo na Baía de Guanabara, divulgado hoje (25) pela Petrobras, traz um dado novo: falha humana na operação do duto, provocando duas horas a mais de derramamento, que no total atingiu quatro horas.
Ao contrário do que se pensava, não foi um problema no software da Central de Controle em Duque de Caxias que permitiu o derramamento, terça-feira passada, de 1,29 milhão de litros do óleo. O erro da equipe não evitaria o acidente mas, caso os operadores tivessem cumprido a checagem de forma correta, poderiam ter impedido o derramamento de 600.000 litros.
De acordo com o relatório, "há fortes indícios de que não houve cumprimento da etapa de análise prevista nos procedimentos operacionais para a hora ímpar de 3h da manhã, no que se refere à verificação da diferença entre volumes expedido e recebido".
O duto de produtos escuros ligava a Refinaria de Duque de Caxias (Reduc) à Ilha Dágua, próxima à Ilha do Governador. Segundo o Cehfe da Assessoria de Segurança e Meio Ambiente de Abastecimento da Petrobrás, Laercio Rodrigues Horta, que coordenou a Comissão que investiga as causas do acidente, uma equipe lançou no computador um dado repetido, que não foi notado pela equipe seguinte.
"O grupo de trabalho que assumiu o horário deveria ter checado o procedimento anterior, mas não o fez", contou. "O resultado é que o computador passou a acumular erros, o que comprometeu a análise do fluxo do combustível", explicou Horta, que assina o relatório.
Em uma investigação inicial surgiu a informação, por parte de um operador, - a Petrobras não está divulgando nomes - que o sistema Gerenciador Operacional Local (GOL) havia falhado. Com isso, o computador não teria acusado problemas no fluxo do produto MF 380.
"O analista de sistema que implantou o GOL na Petrobras há dez anos, no entanto, checou o software e chegou à conclusão de que ele estava correto", informou Horta.
Às 3h da manhã, a equipe de plantão - em geral ela é formada por um operador e um supervisor - deveria ter notado que havia algo diferente nas planilhas existentes no sistema GOL. Bastava, de acordo com Horta, ter checado os procedimentos realizados pela turma que esteve de plantão antes.
De acordo com o relatório, "nesse horário, os dados apontavam uma diferença de cerca de 650.000 litros, representando mais de 15% do volume total já bombeado".
Somente às 5h, quando a diferença entre volume expedido e recebido tornou-se flagrante, é que os dados começaram a ser criteriosamente checados. Vinte minutos depois foi confirmada a existência da diferença de entrada e saída do combustível e foi solicitado o fechamento das bombas da Refinaria de Duque de Caxias (Reduc). Às 5h25m elas foram desligadas.
Mais dois relatórios - um para apurar responsabilidades e outro só sobre a montagem do duto - deverão estar prontos entre 15 e 30 dias. A parte da tubulação onde surgiu o furo ainda não foi retirada para análise laboratorial porque é necessária uma liberação judicial, que ainda não foi concedida.
O documento assinala para o fato de que "a hipótese mais provável é que tenha havido um deslocamento do duto provocado pela combinação de fatores: esforços de expansão térmica, desalinhamento de tramos de tubo no plano horizontal e pouca cobertura com baixa coesão do solo de enchimento da vala constatada no próprio local do acidente".
A trinca por fadiga no duto, que ocasionou o furo de mais de 60 centímetros, ocorreu por erro na avaliação do terreno, que no trecho onde aconteceu o acidente é mais rígido do que em outras partes.
O biólogo John Moor, considerado um dos maiores especialistas em Biologia Marinha, chega ainda esta semana para ajudar nos estudos sobre danos do acidente na fauna e na flora.
A Petrobrás está fechando contrato com uma empresa norte-americana, sediada em Houston, para fazer uma auditoria nos dutos da Petrobras instalados na Baía de Guanabara. No final desta semana, deve chegar ao Rio um executivo da empresa.

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