RIO - O acidente com o Fokker-100 da TAM, ocorrido em São Paulo, completa hoje dois meses e o relatório final da comissão do Departamento de Aviação Civil (DAC) do Ministério da Aeronáutica deverá ficar pronto dia 8 de janeiro. No documento, a comissão deverá detalhar a falta de perícia do piloto, bem como as falhas de manutenção no reversor e de projeto da Fokker.
Segundo o relatório, se o piloto José Antônio Moreno tivesse se concentrado nos procedimentos básicos de decolagem até o avião atingir a altitude mínima de segurança (de 150 metros), e ignorado a pane no reversor direito da nave, poderia ter evitado a tragédia de Jabaquara que matou 99 pessoas.
De acordo com um dos integrantes da comissão, coordenada pelo coronel Aloísio Marques da Cunha, Moreno não dispunha de um treinamento adequado e se desesperou ao constatar que enfrentava problemas. A mesma fonte garante que o avião tinha condições de decolar, apesar da pane. O reversou abriu e fechou três vezes, até que, na quarta, ficou aberto, o que provocou a queda do avião.
A falta de uma doutrina de segurança de vôo, segundo a comissão, fez com que Moreno sequer se preocupasse com procedimentos básicos, como os de ‘‘empinar o nariz’’ do avião para a decolagem e manter a potência do motor direito no pedal. Só numa altitude mínima de segurança, o comandante poderia fazer uma leitura no check list da cabine, para detectar exatamente o problema que estava ocorrendo.
De acordo com um integrante da comissão, praticamente nenhum piloto da TAM dispõe de treinamento adequado. A empresa também poderá ser responsabilizada por falta de manutenção, já que a investigação constatou que o solenóide elétrico (relé) do reversor direito estava solto e não funcionou adequadamente. A comissão questiona ainda o projeto da Fokker, segundo o qual o mesmo relé que aciona o reversor dá também sinal para a cabine do piloto.
Nos primeiros dias após o acidente, Moreno chegou a ser considerado herói, quando foi divulgada a versão de que ele teria dito ao co-piloto que ‘‘estava salvando a escola’’. A versão foi desmentida pelos técnicos que analisaram a caixa-preta do avião.
Para evitar adulteração no relatório técnico sobre o acidente, o Sindicato Nacional dos Aeronáutas e o Sindicato dos Aeroviários tirarão cópia do documento para, depois, confrontá-lo com o relatório final que será divulgado pelo Ministério da Aeronáutica.

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