Rio de Janeiro, 22 (AE) - No relatório que divulgará amanhã em Viena, a Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (JIFE), órgão independente ligado à Organização das Nações Unidas (ONU), indica que o Brasil é um dos países onde mais se consome estimulantes e anfetaminas sem prescrição médica. O documento, no entanto, não fornece dados estatísticos.
Os principais usuários de anfetaminas são os povos das Américas. No relatório do ano passado, a lista era liderada pelos Estados Unidos, onde o consumo diário destas substâncias é dez vezes maior do que em qualquer país europeu. Em segundo lugar vinha o Chile, seguido da Argentina. O Brasil ficava em quarto lugar. Os dados deste novo levantamento só serão divulgados em um ou dois meses.
Segundo o representante no Brasil do Programa das Nações Unidas para o Controle Internacional de Drogas (UNDCP), José Manuel Martinez Mendes, mesmo sem números foi possível constatar que o Brasil - ainda que mantendo um consumo alto - conseguiu melhorar sua posição diante de outros países.
As ações do Brasil para combate ao tráfico de drogas, como a criação do Conselho Nacional Antidrogas (CONAD), da Secretaria Nacional Antidrogas (SENAD) e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) foram elogiadas.
Da mesma forma, foi citada a aprovação da nova legislação para regular substâncias e medicamentos sujeitos a controle especial. A criação destas entidades teria colaborado para melhorar a situação brasileira.
Para Morales em comparação ao relatório de 1999 houve um avanço no panorama brasileiro."O Brasil de hoje em dia está bem melhor que o do ano passado", observa. "É um passo importante criar sistemas para combate ao tráfico internacional", lembra Morales Embora reconheça os esforços, o relatório indica que "recursos técnicos e financeiros necessários sejam providenciados para garantir que as novas instituições e mecanismos produzam os efeitos desejados".
Há ainda um item que diz que os recursos técnicos e financeiros continuam insuficientes "para controlar efetivamente a indústria química no País".
Ao contrário do que aconteceu ano passado, o Brasil não é mencionado no item sobre auto-medicação, considerado um problema grave em todo o mundo. O representantes da UNDCP no Brasil diz que a missão da JIFE que visitou o Brasil em julho de 1999 constatou a fundação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária
o que, para eles, é um ponto importante na luta contra a auto-medicação.
"É necessário criar estruturas básicas para sanar essa questão", aponta. "Este é um problema que atinge o mundo todo e as resoluções são para médio prazo e não curto prazo", conclui.
A auto-medicação é considerada pela Junta um problema sério. O texto indica que o uso indevido de medicamentos e a auto-medicação podem estar por trás dos alto índices de consumo de substâncias psicotrópicas nas Américas e na Europa.
Outra grande preocupação está relacionada ao consumo de maconha. Há, segundo relatório, acesso cada vez mais fácil à droga e um aumento da livre venda de sementes, o que propicia o cultivo doméstico.
Os dados mostram que a cannabis sativa continua sendo a droga mais comum no grupo etário de 15 a 19 anos. A crescente disseminação foi detectada pelos integrantes da JIFE na Europa. Nos últimos 12 anos quadriplicou a prevalência do hábito de fumar maconha na Suíça com estudantes secundários, na faixa dos 15 anos.
Já na França, um terço dos alunos de escolas secundárias já experimentou a droga. Dos jovens alemães que participam de festas techno, 69% usam cannabis sativa.
Números sobre o cultivo de maconha na América do Sul são escassos, de acordo com o documento. Morales qualifica o Brasil como um "pequeno exportador regional".
O relatório ressalta que carregamentos da droga produzida no Brasil, Colômbia, Guiana, Paraguai e Suriname continuam sendo apreendidos durante o transporte para países vizinhos e do Caribe, assim como em partes da Europa e da América do Norte.
"Com poucas exceções, as autoridades sul-americanas continuam a apreender montantes crescentes de maconha", ressalta o relatório.
A lavagem de dinheiro é outro assunto que merece destaque. "Permite a traficantes, contrabandistas de armas, terroristas ou funcionários corruptos - entre outros - a continuar com suas atividades criminosas, facilitando seu acesso aos lucros ilícitos", ressalta o texto.

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