Relatório aponta 36 milhões de infectados pelo HIV
Dentre todas as doenças abordadas no relatório do Unicef, a Aids causa especial preocupação. Hoje, estima-se que haja 36 milhões de portadores de HIV em todo o mundo, 95% concentrados nos países em desenvolvimento. Oito em cada dez crianças e adolescentes com menos de 15 anos que carregam o vírus (1,12 milhão do total de 1,4 milhão) estão na África.
A situação é especialmente crítica na África do Sul, Botsuana e Zimbábue. Segundo projeção do Unicef para o período 2000-2005, nesses três países da região sul da África a Aids será responsável por pelo menos metade das mortes de crianças abaixo dos cinco anos de idade.
Para os que conseguem passar ilesos pela epidemia da doença, a situação não é muito melhor: atualmente, mais de 10 milhões de crianças e adolescentes com idade inferior a 15 anos já perderam pai, mãe ou ambos em decorrência da Aids. Somente no ano passado, foram 2,3 milhões de casos, ou um a cada 14 segundos. O mapa da orfandade pelo HIV aponta, novamente, uma concentração (90%) na África subsaariana.
Para reverter este quadro, o Unicef aposta firme na educação. Desde cedo, a criança deve estar informada sobre a prevenção ao contágio para, mais adiante, fazer com que atitudes simples, como evitar sexo sem proteção (o que, em países onde falta comida e água potável - que dirá camisinha -, muitas vezes significa simplesmente evitar o sexo), façam parte do seu dia-a-dia.
Na República do Malauí, que faz fronteira com Moçambique, Zâmbia e Tanzânia, no sudeste da África, vem o exemplo. O país é um dos que mais sofrem com a epidemia da doença - estima-se que 9% dos 10,6 milhões de habitantes estejam infectados. Numa parceria com o Unicef, o Ministério de Educação, Esporte e Cultura e o Instituto de Educação do país desenvolveram um programa que está sendo testado em 24 escolas primárias, atingindo 2,4 mil alunos.
As ações educacionais devem também abordar o preconceito, que, não raro, separa famílias e amigos. ''Eles (os vizinhos) todos sabem. Eles supõem que nós também somos HIV positivos. (...) Nossos vizinhos não são mais os mesmos - eles distanciaram-se'', declara Ammanuel, órfão etíope de 13 anos, no relatório do Unicef.
Para os infectados, a situação é ainda mais dramática. O sul-africano Nkosi Johnson acusou o peso do preconceito: ''Nós somos seres humanos normais, podemos andar e falar'', desabafou. Aos 12 anos, Nkosi morreu vítima da Aids. (M.P.)





