Jerusalém, 09 (AE-AP) - Um relatório do governo israelense publicado hoje (09) confirmou o que palestinos e grupos de direitos humanos vinham afirmando há anos - que o Estado judeu usou sistematicamente de força contra palestinos suspeitos durante a intifada.
O relatório, feito pela entidade reguladora do Estado israelense em 1997, mas censurado pelo governo até hoje, revela também que durante os interrogatórios dos suspeitos, agentes de segurança do Shin Bet (serviço secreto de Israel) mentiam sobre suas ações para seus superiores e para as cortes de justiça.
O relatório cobre o período entre os anos de 1988 e 1992, quando a intifada, ou revolta palestina contra Israel, estava em seu auge, e um número muito grande de palestino foi detido e interrogado.
O documento afirma que o Shin Bet rotineiramente "ultrapassava a pressão psicológica moderada" autorizada pelo então presidente da Suprema Corte Moshe Landau. Grupos de direitos humanos em Israel mantêm que as práticas autorizadas por Landau - manter prisioneiros em posições totalmente desconfortáveis, cobrir suas cabeças com capuzes e sacos e impedi-los de dormir - equivaliam a tortura.
O relatório acusa toda a chefia do Shin Bet por estar ciente do que ocorria e, mesmo assim, não ter feito nada para impedir as práticas de tortura.
A intifada, que teve início em 1987, terminou em 1993 com acordos de paz entre Israel e os palestinos.