Relatório admite retração da atividade econômica no 3º trimestre
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quarta-feira, 29 de setembro de 1999
Por Soraya de Alencar 
Brasília, 30 (AE) - No relatório trimestral de inflação divulgado hoje, o Banco Central admite que, no terceiro trimestre, deverá ser constatada uma retração no ritmo de atividade da economia. Para este ano, o BC prevê que a evolução do Produto Interno Bruto (PIB) será próxima de zero. Mas para o próximo ano, as projeções indicam que, mesmo que as taxas de juros continuem no nível atual de 19% ao ano, o PIB deverá apresentar crescimento de 3,2%. Segundo o relatório, este crescimento deverá ocorrer sem impacto nos índices de inflação.
No documento, o BC destaca três fatores que deverão impulsionar a demanda interna no próximo ano. Primeiro a redução das taxas de juros que, por sua vez, ocorrerá por dois motivos: queda da taxa de inflação, que é esperada para os próximos anos e, ainda, pela redução do "risco Brasil" que deverá ocorrer com as aprovações da reformas estruturais.
O segundo fator para o aumento da demanda interna, segundo prevê o BC, será a maior oferta de crédito na economia. Isso por causa da redução dos depósitos compulsórios e também pelo maior estímulo à concessão de empréstimos em um ambiente de economia em crescimento. Por fim, o terceiro fator é o aumento do consumo que, na avaliação do Banco Central, ocorrerá "pela maior disposição para gastar dos consumidores em cenário de menor incerteza econômica e queda no desemprego".
De acordo com o diretor de Política Econômica do Banco Central, Sérgio Werlang, os números previstos para o crescimento "são razoáveis e até conservadores". Para o setor de bens de consumo duráveis, que este ano tem apresentado forte contração, o relatório prevê "recuperação substancial em 2000". Este ano a contração foi motivada pela diminuição na produção de veículos cujas vendas foram menores para o mercado externo por causa do quadro recessivo das economias latino-americanas.
Para os demais bens de consumo duráveis, as estimativas do BC são de crescimento impulsionado pela queda dos juros, aumento do crédito e redução do desemprego. Estes fatores, segundo o relatório, deverão também estimular o setor de construção civil, elevando os níveis de investimento e de renda. Ao mesmo tempo, prevê o BC no documento, o investimento deverá ser maior nos setores cuja produção é voltada para a exportação.
Nas estimativas do BC, no próximo ano, as exportações deverão reagir. Embora não revele projeções, o relatório do Banco Central assegura que no ano 2000 a balança comercial deverá ter "superávit significativo". Sobre este ano, o relatório ainda fala em um resultado equilibrado para a balança comercial. Segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, "é razoável que o resultado fique próximo de zero". Fontes do governo já admitiram, no entanto, que até o final do ano, a balança deverá acumular um déficit em torno de US$ 1 bilhão.
Nas projeções para o aumento das exportações em 2000, o Banco Central lista a recuperação da economia latino-americana, que têm apresentado quadro recessivo, e, ainda, o retorno da demanda pelos produtos manufaturados que são extremamente importantes na pauta de exportação brasileira. "A perspectiva mais favorável para a economia global produzirá no próximo ano estímulo importante sobre a economia brasileira, consubstanciado através das exportações, que deverão ter aumento expressivo".


