São Paulo, 12 (AE) - A vereadora Myryam Athiê (PPB) tem sido uma fiel devota da bancada governista desde que saiu da suplência e assumiu a vaga do ex-vereador Hanna Garib, empossado deputado estadual em março. Em dois meses de trabalho parlamentar, rejeitou a criação de comissões de investigação e já esteve envolvida em denúncias de nepotismo e desvio de função de servidor público no seu gabinete.
No mês passado, Myryam Athiê (PPB) nomeou uma irmã e um primo em seu gabinete. Segundo ela, "foi apenas para assegurar os cargos e começar a montar o gabinete". Os parentes permaneceram no cargo durante 25 dias, até que foram exonerados para a contratação de outros servidores. No fim de abril, o advogado Hildebrando Carminati Neto, gerente de Legalização Imobiliária da Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab) foi denunciado por trabalhar para Myryam e ter livre acesso às sessões, apesar de não estar lotado em nenhum setor da Câmara. Desde março, ele participava frequentemente das sessões da Câmara e tinha livre acesso ao plenário - cuja entrada é restrita a vereadores e assessores parlamentares contratados pela Câmara e indicados pelos partidos.
Colega de sala do presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais, José Eduardo Martins Cardozo (PT), a vereadora Myryam afirma que sua trajetória política começou em casa, antes dos 10 anos. "Meu pai era ademarista roxo", diz. A herança paterna acabou influenciando sua trajetória política, que sempre teve um perfil identificado com a direita.
Myryam sempre esteve ligada ao ex-prefeito e atual presidente do PPB, Paulo Maluf, desde que ingressou no extinto Partido Democrata Social (PDS), no início da década de 80. Advogada formada pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), entrou no serviço público municipal há 16 anos, na gestão do ex-prefeito Altino Lima. "Fui trabalhar como assessora no gabinete do prefeito", lembra ela, que desde então ocupou vários cargos na Prefeitura. Seu cargo mais recente foi na administração do prefeito Celso Pitta (ex-PPB), onde trabalhou na diretoria da Companhia Habitacional de São Paulo (Cohab) por dois anos. Na Câmara, Myryam encontrou o ex-colega da Faculdade de Direito, de quem chegou a "colar" nas provas. "O Zé Eduardo era muito estudioso", confessa, rindo. Sua última missão era a de defender o prefeito Celso Pitta do processo de cassação, na Câmara. Partido - Sobre o PPB, Myryam diz que o partido passa por uma fase de reestruturação. "Como todos os partidos, temos os bons e os maus componentes", diz. "Os ruins devem sair e os bons devem tentar ajudar a reerguer a imagem", diz. Mesmo assim, deixa dúvidas a respeito de sua própria permanência. "Por enquanto não penso em sair".
Após conquistar, no dia 4, a relatoria, um dos principais cargos da comissão especial criada para analisar e decidir se transformaria em denúncia o segundo pedido de impeachment do prefeito, tentou suspender as sessões ou diminuir as acusações nos depoimentos contra o prefeito Celso Pitta. Argumentou que o Tribunal de Contas do Município (TCM) aprovou por unanimidade a prestação de contas referente aos gastos com educação e a Câmara "referendou" a decisão. Votação - Em 1996, foi a mulher mais votada do Brasil para o cargo de vereadora, com 21.560 votos, mas teve de se contentar com a suplência no seu partido, o PPB. Por causa desse resultado
montou em julho de 97 o diretório Ação da Mulher Progressista, com o objetivo de aumentar o máximo possível as filiações femininas. Em dois meses, conseguiu filiar no PPB cerca de 10 mil mulheres, só na capital. "Não vamos lançar candidatas só por lançar, só vamos admitir que façam campanha pessoas que tenham realmente condições de vencer", explicava, na época. "Não quero que se repita o que ocorreu em 96, quando muitas candidatas caíram no ridículo" (Marcus Lopes e Wandick Donizetti)

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