Rio - A relatora especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para Execuções Sumárias, Asma Jahangir, que iniciou ontem visita ao Rio, criticou a falta de informação sobre os números de pessoas mortas por grupos de extermínio e em prisões do Rio. ''Eu não estou muito satisfeita, quero fatos e números. Se todo mundo diz que tudo está correndo bem, eu não sei o que estou fazendo aqui. Preciso de uma coisa mais concreta.'' Ela também pediu informações sobre o caso do comerciante chinês Chan Kim Chang, que teria sido espancado e morto dentro do presídio Ary Franco.
O chefe de Polícia Civil do Rio, delegado Álvaro Lins, entregou a Asma o relatório final do inquérito civil que apurou a morte de Chang, concluído esta semana com o indiciamento de 12 pessoas. A relatora estranhou a existência de dois inquéritos, um civil e um federal, para investigar o caso o que se deve ao fato de Chang ser um preso federal, por ter sido detido por evasão de divisas, encarcerado numa prisão estadual.
Álvaro Lins garantiu que entregará a ela até segunda-feira um dossiê sobre a participação de policiais em grupos de extermínio, com detalhamento do perfil das vítimas. O chefe de Polícia informou a Asma que o número de homicídios vem caindo no Rio segundo ele, em 1995, foram 8.438 registros, e, em 2002, 6.253 e o de prisões, vem crescendo.
A relatora começou o dia se reuniundo com o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Miguel Pachá, com quem conversou sobre o sistema judiciário brasileiro e a quem solicitou explicações sobre o que está sendo feito para combater a impunidade. Ele expôs a dificuldade que o Judiciário enfrenta por conta da diminuição progressiva no número de inquéritos policiais. ''A Justiça só age se houver inquéritos e o número de apurações tem diminuído'', disse Pachá.
O presidente do TJ contou que a relatora lhe perguntou como andam os inquéritos referentes a crimes praticados por militares. O juiz auditor militar do Rio, Alexandre Abrahão, lhe informou que está crescendo a quantidade de denúncias contra militares.
Em seguida, ela se encontrou com Álvaro Lins e, mais tarde, com o secretário de Administração Penitenciária, Astério Pereira dos Santos, que não deu declarações após o encontro. No fim da tarde, Asma foi recebida pelo procurador-geral do Estado, Antônio Vicente da Costa Junior.
A relatora chegou ao Brasil no dia 16 e já esteve em Brasília, na Bahia, em Pernambuco, no Pará, em São Paulo e no Espírito Santo. Hoje ela conversará com estudantes de direito e com defensores de Direitos Humanos. Domingo, irá ao Morro do Borel, na zona norte, onde quatro homens foram executados pela polícia em abril. Na terça-feira, ela volta a Brasília, de onde embarca, no dia seguinte, para Genebra.

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