Relator suspeita de "laranja" na administração de bens de Lopes
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quinta-feira, 22 de abril de 1999
Por Ribamar Oliveira e Claudia Carneiro 
Brasília, 23 (AE) - O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos, senador João Alberto (PMDB-MA), disse hoje ter sido informado pelos procuradores do Ministério Público, durante sua viagem ao Rio de Janeiro, de que "há indício" da existência de "laranja" (pessoa que opera em nome de outra) que administraria os lucros da família de Francisco Lopes na empresa Macrométrica. João Alberto não apresentou nenhum documento que confirmasse a suspeita. Segundo um outro senador, esses documentos ainda não chegaram à secretaria da CPI. Teriam permanecido no Rio, em poder da Justiça.
No verso das planilhas da Macrométrica, que foram apreendidas na residência de Lopes no Rio, constariam extratos bancários de conta corrente no banco Itaú em nome de um tal Luiz Fernando. A distribuição dos lucros da Macrométrica teria sido feita entre Luiz Fernando e um certo Estevão. Em cada extrato estaria discriminado, à mão, os créditos atribuídos a "Ciça" (apelido de Araci Benitez dos Santos Pugliese, companheira de Lopes) e a Estefânia, que foi identificada como filha do casal.
Os lucros apontados nas planilhas da Macrométrica são pequenos, segundo um integrante da CPI. Em 1997, o lucro anual das cinco empresas que compõem a Macrométrica somou R$ 120 mil. Na planilha de distribuição dos lucros daquele ano, o maior valor mensal designado a Luiz Fernando teria sido de R$ 4.300 00. No mesmo mês, o lucro atribuído a Estevão teria ficado em torno de R$ 800,00.
Os valores identificados nas planilhas, considerados "irrisórios", chamaram a atenção de integrantes da CPI. Os senadores acreditam que esses valores formariam o elo entre a Macrométrica e Francisco Lopes, no mesmo período em que ele integrava a diretoria do Banco Central. Seriam também discrepantes com o saldo no exterior atribuído a Francisco Lopes por Sérgio Luiz Bragança, no bilhete encontrado na casa do ex-presidente do BC. Lopes teria US$ 1,675 milhão depositado em contas de Sérgio Bragança no exterior.
O relator João Alberto confirmou hoje que o dinheiro que Francisco Lopes teria no exterior não consta da declaração de Imposto de Renda do ex-presidente do BC relativa a 1997. Outra coisa que chamou a atenção dos senadores que analisaram os documentos foi o fato de que a movimentação bancária de Francisco Lopes ser modesta. No ano passado, o maior crédito encontrado não teria chegado a R$ 9 mil, valor que foi atribuído ao salário recebido pelo ex-presidente do BC.
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) não descobriu hoje, ao analisar os documentos, nenhuma informação que já não tivesse sido divulgada pela imprensa. Suplicy disse que encontrou uma cópia do relatório apresentado pelo Banco Central à CPI dos Bancos, que teria sido encaminhada pelo atual presidente da instituição, Armínio Fraga.
Há também, de acordo com o senador petista, na agenda do ex-presidente do BC anotação sobre um encontro com Armínio Fraga
no dia 27 de janeiro, às 17h30.


